terça-feira, 31 de maio de 2011

Foi mal



Semana passada eu estive no curso pré-vestibular Unificado conversando com alguns professores e pais de alunos, e entre vários assuntos debatidos surgiu um que tem preocupado a todos: a liberalidade que certos jovens conquistaram em casa e estão exibindo nas ruas. 

Longe de qualquer moralismo, o fato é que é alarmante que uma garotada de 12 ou 13 anos já esteja frequentando festas com álcool – às vezes liberado pelos próprios pais, que se rendem ao manjado argumento: "Pô, todos os meus amigos podem!". Ah, então tudo bem.

Juventude sempre foi sinônimo de "viver perigosamente"; esperto era quem esnobava a morte e se divertia com o risco. Essa rebeldia já teve seu seu charme, eletrizava. Só que o passado passou, hoje vivemos numa sociedade muito mais violenta, e dar uma de valente, se ainda impressiona, é pela inconsequência e babaquice, por nada mais.

Alguns acontecimentos dos últimos tempos deixaram claro que os jovens, hoje, correm riscos de gente grande. Primeiro foi aquele caso da Eloá, a menina de 15 anos que namorava um desajustado há três. Pra mim, dos 12 aos 15 ainda se é praticamente uma criança. 

Como alguém nessa faixa etária vive uma relação com uma carga de passionalidade tão intensa, tão adulta? Enfim, a menina foi uma vítima, lógico, mas cabe a nós, pais e mães, colar neles: com quem se envolvem, o que revelam através do Orkut, a quem estão se anunciando? 

A propósito, soube que há uma nova moda pegando na Austrália: as garotas vão para a praia com o número do celular pintado nas costas. Um convite pra encrenca. Mais um.

Outra notícia desalentadora foi a do menino de 18 anos que faleceu por causa de uma bala perdida disparada numa festa. Acontece todos os finais de semana em bairros da periferia, mas quando atinge um estudante universitário a visibilidade da notícia se expande. 

No entanto, o drama e as dúvidas são as mesmas para todas as famílias: quem controla o porte de arma numa festa? E mesmo quando esse tipo de tragédia acontece do lado de fora do recinto, como começa? Creio que a resposta está no início do texto: bebida à vontade para uma garotada em busca de afirmação. 

Infelizmente, muitos adolescentes não são orientados ou não desenvolvem a segurança necessária para ir contra o rebanho. Se todos bebem, eles bebem também. Não sabem se divertir com o entusiasmo que naturalmente possuem, precisam potencializá-lo. Aí exageram e entram num estado de exaltação que faz com que provoquem brigas desnecessárias, façam sexo sem uso de preservativos, dirijam em alta velocidade, ferrem com a própria saúde. Ou com a vida de alguém.

Sei que estou dando uma de madre superiora, mas nunca é demais bater nessa tecla do exagero. O adolescente vai sempre cometer excessos, faz parte da sua natureza, mas o mínimo que os pais podem fazer é não tratá-los como adultos antes da hora.

Nada de aceitar que meninas de 15 se comportem como mulheres vividas, e de aceitar que meninos de 16 cantem de galo. A marcação tem que ser mais cerrada. É proibido dirigir e beber antes dos 18. Ponto final. É inegociável. Não adianta eles chegarem em casa dizendo "foi mal" e no dia seguinte vacilarem de novo. 

Uma briga pode causar uma morte. Um amasso pode gerar uma gravidez indesejada. Um pega pode acabar em tragédia. Foi mal? Pode ser péssimo, crianças.

By Martha Medeiros.

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2 comentários:

Macuxi Pratas by Janice D'arc disse...

Não sou uma mãe, tia e nem sei se vou ser uma avó(quando chegar a hora) moderna . Tudo na vida têm seus limites, não aprovo essa "liberalidade", por que esse mundo está cruel todos os dias jovens morrem por motivos banais.Como mãe descobri que os filhos gostam sim de receber NÃO, eles se sentem seguros e sabem quem tem alguém educando e dando limites.

Anônimo disse...

Sou um avô de uma menine linda e já é grande a minha preocupação com o seu desenvolvimento num mundo que eu já tenho dificuldades em compreender. Casos como os que são denunciados no texto, são quase correntes aqui, neste Portugal de bons costumes, onde quotidianamente somos confrontados com casos semelhantes. O assunto daria um comentário maior e um estudo sobre as causas, naturalmente atribuidas em primeiro lugar à família, que deve ser estruturada para ser estruturante, à escola que deve ser formativa e não só educacional, aos professores que devem ser competentes e humanos, preparados não só para o domínio do saber saber, mas também para o saber estar, às autoridades que não devem ser apenas repressivas, mas orientadoras. Enfim. Não desfaleceremos em frente ao muito que nos cabe fazer, pois a responsabilidade é de cada um de nós. Luis Eugénio Ferreira

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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