sábado, 24 de setembro de 2011

Desnecessidades



 
Algumas vezes, tolamente, fazemos perguntas desnecessárias que servem apenas para ferir um pouco mais o tecido já esgarçado das relações.

Desnecessárias porque inúteis. Desnecessárias porque incapazes de dissolver nuvens, acender lumes, criar laços, desatar nós. Desnecessárias porque aumentam abismos e não inventam pontes. Desnecessárias porque, terra estéril, nenhuma beleza consegue florescer a partir delas. Desnecessárias porque conhecemos as respostas com uma clareza desconcertante.

Tanto, que preferimos não contá-las para nós mesmos por absoluta covardia. Então, perguntamos, desnecessariamente, quem sabe com a esperança de ouvir respostas diferentes das óbvias.

Desnecessárias são perguntas e respostas quando a realidade não precisa de palavras para dizer o que é. Muitas vezes o que de verdade nos falta é a coragem da aceitação. A coragem para admitir que tudo o que foi trocado cumpriu o seu destino da melhor maneira que conseguiu, no tempo que conseguiu, e foi. A coragem para abençoar e simplesmente seguir, coração sem névoa de pergunta, sem névoa de resposta, apenas grato pelo que deu pra ser.

Dor maior que o desapego é viver de mentirinha o que já morreu.

Ana Jácomo.

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Claudia Mei
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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