terça-feira, 27 de março de 2012

Educação e amor


Um dia tive contato com uma estatística que apontava números de investimentos em todas as áreas, numa perspectiva mundial. O quanto gastamos com saúde, com educação, com arte, com armas de guerra, com segurança pública, com investimentos em casas e assim por diante. No mundo. O investimento em armas de guerra passava de trezentas vezes o que gastamos em educação. Com isso é fácil concluir qual o nosso destino: é esse que compramos.

A educação deveria ser uma meta fundamental no mundo inteiro. O conhecimento tem se provado pacificador e motivador de grandes melhorias na qualidade de vida e nos relacionamentos entre os povos. Há que se perceber, porém, um detalhe: a educação está sempre levando a cultura como sua dependente quando deveria ser o contrário. Explico: o Ministério da Educação pode ou não levar a pasta da Cultura em seus atributos. E se o Ministério da Cultura for independente sua verba será infinitamente menor. É assim em todo canto e todo mundo parece concordar, menos eu. Simples o raciocínio, difícil a compreensão: para se estabelecer um paradigma do que deve ser ensinado é importante estabelecer o que é belo, o que é louvável, o que queremos instituir como bem cultural. Ética e estética. 

Depois de conhecidos esses referenciais fica muito mais fácil estabelecer moral e comportamento, escolher um programa escolar de base e estabelecer o que vai e o que não vai ser pesquisado. Essa é a chance que temos de inverter o investimento em armas trocando-o por coisas que produzam felicidade. Mas antes disso, muito antes, é preciso convencer a humanidade que a felicidade é uma coisa boa. Por isso investir em cultura. Sem contato com o belo, a educação pode ser infrutífera. Aprender o quê? Para quê? 

O amor deveria fazer parte dos ensinamentos básicos de todo cidadão. Isso se, culturalmente, compreendermos que sem amor somos um nada; sem amor não podemos ser felizes e nem convivermos bem em grupo; sem amor nossa vida é um caminhar em círculos sem graça. E a compreensão do amor fica muito melhor se estudarmos, se lermos as grandes histórias, os grandes romances, se pensarmos em todas as refrações do amor. O amor à natureza, aos animais, ao que se construiu no passado, ao belo, ao prazer, às artes, ao que ainda não se conhece ou o metafísico. 

Há muito o que se pensar sobre o amor. Há muito o que se aprender com o amor. Se os garotos ficassem dos 7 aos 11 anos estudando apenas e somente o amor, deixando a tabuada para depois, não seriam pessoas piores, tenho certeza. E seriam educadas de dentro pra fora. Da alma para o corpo social. Primeiro ser uma boa pessoa para depois ser um bom cidadão. 

E depois, um pouco mais tarde, estudar junto com outras coisas, é claro, o amor romântico. O enamoramento,  o ciúme, o desejo, a pequena morte ou orgasmo, a linguagem do amor... tanta coisa fundamental para se saber e todo mundo estudando inglês ou fazendo ginástica.  

Alguma coisa vai dar errado.

Leo Jaime.

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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