segunda-feira, 9 de abril de 2012

Bom, ruim, assim assim


Quer saber de uma coisa?

Tudo pode ser bom, ruim e, principalmente, assim assim. Tudo ao mesmo tempo ou não, e não necessariamente nessa ordem.

Bom é chegar na praia à tardinha, anúncio de por de sol, a água de ondas mansinhas, jogar bola na espuma e, sob o céu, encaixa como se fora Tafaréu.

É bom também quando começa a chover e as gotas fazem cócegas na superfície do mar como se um cardume infinito prometesse matar a fome de todo o Vidigal, Rocinha, Cidade de Deus e Vigário Geral.

Ruim é lembrar daquele amigo que, de prancha na mão, morreu de um beijo roubado de um raio, da lembrança, a correria.

O medo... o medo... medo é bom, ruim é o medo de ter medo!

Bom voltar, trocar chuva por chopp, e passar atrás da pelada, a bola vai pra fora e, como na crônica de Rubem Braga, sobra pra você que mata no peito, faz embaixadinha e devolve redondo... num chute perfeito.

Ruim é a fisgada na coxa, sair mancando disfarçadamente, a vergonha de estar decadente não é ruim, ruim é o orgulho que se nega a reconhecer a decadência.

É bom a cidade estranha em que você nunca esteve e sabe que nunca mais vai voltar, e nesse lugar você tem uma obrigação sem graça que cumpre com estilo e precisão traçando um dia perfeito no arco do tempo.

Quando cai a noite é bom tomar um banho e, sob o chuveiro, é bom sentir saudade; ruim é não ter saudade, e como é bom sair sem direção pelas ruas da cidade pensando no que você fez da sua vida e no que a vida fez em você.

Bom é sonhar, realizar não é tão bom, mas ruim mesmo é não realizar.

O fim de um grande amor é muito, muito ruim, um grande amor não tem fim!

Bom é amar, ruim é amar... Bom é encarar a vida com fantasia.

Quando um poeta desaparece é bom colocar chapéu de Bogar que tudo pode solucionar.

Ruim é encontrar o precipício, morrer não deve ser tão ruim assim...

E pode ser bom falar sobre bom e ruim, e pode ser pior assim assim ... bom!

Pedro Bial.

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1 comentários:

eva maria disse...

Muito legal onde pode-se publicar crônicas poemas...Bacana essa do Pedro Bial...

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Claudia Mei
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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