terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A borboleta


Eu estava sentada em uma sala de um hotel, um lugar tranquilo, rodeado de flores, quando assisti a uma desesperada luta entre a vida e a morte acontecendo com uma borboleta que gastava as suas últimas energias tentando voar para fora da sala através do vidro da vidraça.

É triste contar a comovente história da estratégia da borboleta: ela insistia, mas não conseguia, pois os seus desesperados esforços não geravam nenhuma esperança para a sua sobrevivência. Ironicamente, a luta é parte da armadilha. Era impossível para a borboleta, mesmo tentando arduamente, conseguir ter sucesso, ou seja, quebrar o vidro. No entanto, esse pequeno inseto apostou sua vida para alcançar seu objetivo, através da determinação de um esforço errado.

Esta borboleta estava condenada. Ela ia morrer lá no peitoril da janela. Do outro lado da sala, há alguns metros, a porta estava aberta. Dez segundos de tempo de voo e esta pequena criatura poderia alcançar o mundo exterior que tanto procurava.

Com apenas um pequeno esforço, que agora está sendo desperdiçado, poderia estar livre desta armadilha que ela mesma criou. A possibilidade da descoberta está lá. Seria tão fácil. Por que não tentar voar com uma outra abordagem, algo radicalmente diferente? Como é que ela ficou tão obstinada com a ideia de que este específico trajeto lhe oferece a melhor oportunidade para o sucesso?

Que lógica há em continuar insistindo até a morte na mesma solução para o meu problema? Sem dúvida, esta abordagem faz sentido. Mas, lamentavelmente, é uma ideia que vai matá-la. Tentar a coisa mais difícil não é, necessariamente, a solução mais eficaz. Esta visão não oferece qualquer promessa real de conseguir o que se quer da vida. Às vezes, na verdade, é uma grande parte do problema. Se você aposta todas as suas esperanças numa única alternativa, você pode matar as suas chances de sucesso.

Desconheço o autor.

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Claudia Mei
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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