sábado, 31 de julho de 2010

Me provoque

"Quer saber o que eu penso?

Você aguentaria conhecer minha verdade?

Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros.

Tenho profundo sono de quem prefere o morno.

Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração.

Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, chata! Eu sou assim.
Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir.

Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso!

Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir... Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo.

Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome. "

Autoria desconhecida
sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quando a gente ama

Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar
Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar
Quando a gente ama,
Simplesmente ama
E é impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!

Oswaldo Montenegro


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Não sei

Não sei... se a vida é curta...
Não sei...
Não sei...
se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.

Cora Coralina

Me encante

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar...

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser...
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar...

Me encante com suas palavras...
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade...
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você  fez com o seu primeiro namorado...
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva....

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre...
Mas, me encante de verdade, com vontade...

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias...
Pelo resto das nossas vidas!!!

Pablo Neruda
terça-feira, 27 de julho de 2010

Ver o outro dormir

Ver o outro dormir é negócio de muita responsabilidade. Mais que ver as águas de um rio represado gerando uma usina de sonhos, é ver uma semente na noite pedindo um guardião.

 Pode ser banal, mas é isto: amar é ser o guardião do sonho alheio. Os surrealistas diziam: o poeta enquanto dorme trabalha. Pois os amantes enquanto dormem, se amam. Se amam inconscientemente, quando seus desejos enlaçam raízes e seivas.

O pé de um toca o pé do outro, a mão espalmada corre sobre o lençol e toca o corpo alheio e, dormindo, se abraçam animados. Quando isso ocorre, pode ter vários significados. Talvez um tenha lançado um apelo silencioso ao outro: "Ajude-me a atravessar esse sonho", ou: "Venha, sonhe esse sonho comigo, é bonito demais".

E o outro, às vezes, sem se mexer, parte em seu socorro. É que certos sonhos, sobretudo os de quem ama, não cabe num só corpo. Transbordam os poros da noite e pedem cumplicidade.

E se há um pesadelo, aí um se agarra ao tronco do outro na crispação do instante, e o corpo do parceiro é bóia na escuridão. Por isto, no ritual do casamento, quando o sacerdote indaga se os que se amam sabem que terão que se socorrer na saúde e na doença, na opulência e na miséria etc... deveria se inserir um tópico a mais e advertir: ... amar é ser cúmplice do sonho alheio.

Passar a metade da vida dormindo ao lado do outro. E há quem passe uma tarde, uma noite ou uma temporada ao lado de um corpo e sabe seus sonhos para sempre.

Engana-se quem escuta o silêncio no quarto dos que amam. Estranhos rumores percorrem o sonho alheio. Não é o rugir do tigre pelas brenhas. Não é o bater das ondas na enseada. Nem os pássaros perfurando a madrugada. São os sonhos dos amantes em plena elaboração.

E se numa noite dessas o vento da insônia de novo soprar em suas frestas, olhe pela janela os muitos apartamentos onde pulsam dormindo os amorosos.

Quando se compra um apartamento novo, nas alturas, alguns compram lunetas e ficam vasculhando a vida alheia. Mas para ouvir o ruído dos sonhos basta abrir os ouvidos na escuridão. Os sonhos pulsam na madrugada.

Era uma vez um chinês que toda vez que sonhava com sua amada acordava perfumado. Deve ser por isso que, ainda hoje, o quarto dos amantes amanhece com um perfume de almíscar, lavanda e alfazema. E é comum achar troféus dos sonhos ao pé da cama de quem ama.

Quando se abre a pálpebra do dia, aí pode-se ver um unicórnio de ouro e uma coroa de rubis.  À noite os sonhos dos amantes se cristalizam e de dia se liquefazem em beijos e lágrimas.

Quem ama diz boa-noite como quem abre/fecha a porta de um jardim. Não apenas como quem viaja, mas como quem vai para a colheita.

Quando se ama, acontece de um habitar o sonho do outro, e fecundá-lo.

Afonso Romano de Sant'Anna
domingo, 25 de julho de 2010

Ter ou não ter namorado

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.

Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas: de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira:

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Enlou-cresça.

Arthur da Távora
sexta-feira, 23 de julho de 2010

Filtro Solar

Amigos...

Usem filtro solar

Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, diria: Usem filtro solar. Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro solar foram cientificamente provados.

Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência e eis aqui alguns conselhos:

Desfrute do poder da beleza de sua juventude. Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder da beleza de sua juventude quando já estiver muito velho.

Mas, acredite em mim. Dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você e que eram realmente fabulosas.

Você não é tão gordo quanto você imagina. Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você às 4 da tarde em alguma terça-feira ociosa.

Todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora. Cante. Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.

Relaxe. Não perca tempo com a inveja. Algumas vezes você ganha, algumas vezes perde. A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você. Lembre-se dos elogios que recebe e esqueça os insultos (Se conseguir fazer isso, me diga como).

Guarde suas cartas de amor e jogue fora seus velhos extratos bancários. Estique-se. Não tenha sentimento de culpa se não souber muito bem o que quer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem.

Tome bastante cálcio e seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais. Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos 40, talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chances de dar certo, como também tem as escolhas de todos os demais.

Curta seu corpo da maneira que puder. Não tenha medo dele ou do que as pessoas pensem dele. Ele é seu maior instrumento. Dance, mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar. Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. A única coisa que elas fazem é mostrar você como uma pessoa feia. Saiba entender seus pais. Você nunca sabe quando vai sentir a falta deles.

Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com seu passado e aqueles que, no futuro, provavelmente não deixarão você na mão.

Entenda que amigos vêm e vão, mas há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com carinho.

Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e da vida, porque quanto mais você envelhece, tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude.

More em uma grande cidade uma vez na vida, mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoa dura. More em uma cidade do interior, mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole.

Viaje.

Aceite certas verdades eternas: Os preços vão subir, políticos são todos mulherengos e você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que, quando você era jovem, os preços eram acessíveis, os políticos eram nobre de alma e as crianças respeitavam os mais velhos.

Respeite as pessoas mais velhas. Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha uma aposentadoria. Talvez tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou o outro podem desaparecer.

Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.

Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos, mas seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata de lixo, limpá-lo, esconder as partes feias, e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale.

Mas, acredite em mim quando eu falo do filtro solar.

Pedro Bial
quarta-feira, 21 de julho de 2010

Descubra o amor

Pegue um sorriso
e doe-o a quem jamais o teve...

Pegue um raio de sol
e faça-o voar lá onde reina a noite...

Pegue uma lágrima
e ponha no rosto de quem jamais chorou...

Pegue a coragem
e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar...

Descubra a vida
e narre-a a quem não sabe entendê-la...

Pegue a esperança
e viva na sua luz...

Pegue a bondade
e doe-a a quem não sabe doar...

Descubra o amor
e faça-o conhecer o mundo...

Mahatma Gandhi
terça-feira, 20 de julho de 2010

A tempestade


Pássaro e o homem tem essências diferentes.

O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;
o pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.

Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.
Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes;
mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.

A civilização é uma arvore idosa e carcomida,
cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas
são a infelicidade e o desassossego.

Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles mora.

Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,
de suas tradições e de seu barulho.

Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam
dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.

Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira
dourada e seus ouvidos com falsas promessas.

Os sacerdotes aconselham os outros,
mas não aconselham a si mesmos,
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.

Vã é a civilização. E tudo o que está nela é vão.
As descobertas e invenções nada são senão brinquedos
com a mente se diverte no seu tédio.

Cortar as distâncias, nivelar as montanhas,
vencer os mares, tudo isso não passa de
aparências enganadoras, que não alimentam ocoração e nem elevam a alma.

Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes,
nada são senão cadeias douradas com os quais o homem
se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o inicio
do tempo sem saber que, quando terminar sua obra,
terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.

Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.

E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.

Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.

Gibran Khalil Gibran
segunda-feira, 19 de julho de 2010

É proibido...

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda
quarta-feira, 14 de julho de 2010

Reverência ao Destino

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Carlos Drummond de Andrade

Viagem




Viagem

Oh, tristeza me desculpe,
Estou de malas prontas,
Hoje a poesia veio ao meu encontro,
Já raiou o dia, vamos viajar !
Vamos indo de carona,
Na garupa leve do vento macio,
Que vem caminhando,
Desde muito longe, lá do fim do mar,
Vamos visitar a estrela da manhã raiada,
Que pensei, perdida pela madrugada,
Mas que vai escondida,
Querendo brincar,
Senta nessa nuvem clara,
Minha poesia, anda, se prepara,
Traz uma cantiga,
Vamos espalhando música no ar,
Olha quantas aves brancas,
Minha poesia, dançam nossa valsa,
Pelo céu, que o dia,
Fez todo bordado de raios de sol,
Oh, poesia, me ajude.
Vou colher avencas,
Lírios, rosas, dálias,
Pelos campos verdes,
Que você batiza,
De Jardins do Céu.
Mas, pode ficar tranqüila,
Minha Poesia,
Pois nós voltaremos,
Numa Estrela-Guia,
Num Clarão de Lua,
Quando serenar...
Ou, talvez até, quem sabe ?
Nos só voltaremos,
Num cavalo baio,
No Alazão da Noite,
Cujo nome é Raio - Raio de Luar. !!!

Música: Viagem
Autoria: João de Aquino e Paulo César Pinheiro
Interpretação: Marisa Gata Mansa
domingo, 11 de julho de 2010

Vamos ser mais

Vamos! Vamos viver bem o dia de hoje.

Hoje é "o" dia.

Vamos vivê-lo intensamente, curtí-lo intensamente. Vamos viver!!

Vamos cantar. Cantar pelo prazer de cantar, sem pensar na afinação, na opinião de quem está nos ouvindo. Cantar o que dá prazer, cantar a música que traz boas lembranças, inventar novas letras e novas melodias, pelo prazer de inventar. Cantarolar baixinho no elevador, cantar bem alto no carro, sem olhar pros lados (eles não são críticos musicais, certo?). Vamos simplesmente cantar.

Vamos dançar. Dançar sem exibicionismo, sem afetação. Dançar pelo prazer de sentir o corpo fluir ao ritmo da música, ao ritmo da imaginação, ou até mesmo sem ritmo.
Dançar coladinho, dançar soltinho, dançar pelo apartamento, pelo corredor do prédio (enquanto o síndico não aparece). Vamos simplesmente dançar.

Vamos Amar! Amar o que merece ser amado, amar quem merece ser amado. Não vamos amar pela metade. Vamos amar muito. Por inteiro. Vamos ser inteiros no ato de amar. Vamos ter menos medo de demonstrar nosso amor. Vamos aprender a demonstrar este amor. Vamos aprender a preservar este amor.

Mas, caso isso não possa mais acontecer, vamos ser sinceros, conosco e com quem amamos, no amor.  Porque não é nada fácil nos separarmos. Cada um sofre um bocado. Então vamos tolerar e compreender quem um dia amamos, porque não é fácil amar por inteiro... Há pessoas que procuram por isso a vida inteira e não encontram. Vamos dar valor ao amor que já tivemos nesta vida. Vamos dissipar os mal-entendidos, pra poder prosseguir inteiros.

Vamos ter menos medo de não sermos compreendidos, de não sermos aceitos. Vamos reconhecer e retribuir o valor do amor que as pessoas sentem por nós.

Vamos amar mais nós mesmos (sem cair no egocentrismo). Vamos compreender nossas qualidades, nossa condição de irmanados neste mundo, e perceber que queremos, precisamos, merecemos ser amados. E vamos nos fazer dignos deste amor. Vamos nos esforçar pra ser merecedores deste amor. Vamos simplificar o ato de amar. Vamos simplesmente amar.

Vamos pensar menos. Vamos ser mais infantis. Vamos nos dar o direito de resgatar as boas coisas de ser criança. Vamos ser mais inocentes, vamos olhar nos olhos com mais franqueza e transparência, vamos ser mais curiosos, vamos sorrir sem travas, vamos nos divertir muito com pouca exigência.

E vamos pedir colo, se quisermos colo. Não vamos ser dissimulados. Vamos desencanar. Vamos ser mais espontâneos. Vamos ser mais crianças. Vamos ser bons. Vamos ouvir o que nos diz o Dalai Lama. "Você não precisa ter uma religião, você precisa ter uma Conduta Ética Positiva".

Vamos ser éticos, vamos agir positivamente. Vamos ser grandes com pequenos gestos, que podem surpreender e significar muito pra quem os recebe. Vamos abrir a porta do carro pra quem nos acompanha, vamos abrir a porta do elevador, ainda que não seja o nosso andar, pra ajudar outra pessoa a descer. Vamos dar atenção à gentileza.

Vamos fazer grandes viagenzinhas. Podemos sonhar com Taiti, por quê não? Mas podemos curtir muito uma cidadezinha nas redondezas. São tantas! Vamos comprar um Guia, deixá-lo no carro, comentar e compartilhar as dicas com nossos familiares e amigos.

Vamos mudar de ares. Vamos pegar o carro e cair na estrada, rodar aí uma centena de quilômetros, aproveitar pra cantar bastante no trajeto. Vamos comer uma comidinha diferente, vamos apreciar um céu que é o mesmo da nossa cidade, mas você sabe que não é o mesmo.

Vamos sentar num banco da Praça Matriz (sempre há uma) e não pensar em nada. Apenas, respirar fundo (você já respirou fundo hoje?). Vamos ver, fotografar, filmar, bater perna, vamopelaí.

Vamos nos ver mais. Sempre reclamamos que vemos poucos os amigos, principalmente. Vamos curtir mais esta cidade, e curtí-la com quem merece, os nossos verdadeiros amigos. Vamos dar mais valor a eles, vamos compreendê-los mais.

Vamos ser mais amigos dos nossos amigos. Vamos gastar uns interurbanos pra falar com aquele amigão do interior, ele merece essa atenção. Em vez de mandar emails pros amigos, vamos abraçá-los mais. Vamos usar menos a frase "a gente precisa se ver", vamos nos ver mesmo!

Vamos ser mais cantantes, mais dançantes, mais amantes; mais infantis, mais generosos, mais circulantes; vamos ser mais amigos.
Vamos ser mais. Vamos?
Marcos Kim

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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