quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Amizade


Falamos muito em sentimentos, emoções, propostas de vida diferentes daquelas que conhecemos e até mesmo que vivemos.

Sorrimos muito quando estamos apaixonados, dançamos, falamos sozinhos, temos o chamado "pique" para trabalhar e estudar. O coração salta nos olhos vivos e imaginamos um futuro brilhante ao lado do ser amado.

Mas, um belo dia, acordamos e o sol não brilha mais, o céu acinzentado nos abre a cortina da escuridão, do medo de viver. E as lágrimas rolam, nascidas da nossa desilusão, do sentimento de rejeição. E então, amargurados, odiamos o mundo, as flores, os pássaros, os vizinhos, o trabalho, a noite, o dia... Abraçamos apenas a dor da separação e, no fundo do poço, encontramos todo o nosso potencial de angústia.

Alguém quieto, meio sem ser percebido, repetindo palavras corriqueiras, simplórias, tenta nos chamar a atenção e, pacientemente, se coloca ao nosso lado ouvindo o gritar da nossa dor, dela compartilhando conosco, oferecendo-nos um sorriso meio de lado, para não nos agredir. Nos oferece um copo de água, um passeio ao shopping, uma ida ao cinema, uma roupa bonita, um caminhar junto. Meio sem saber, mas sabendo de
tudo, coloca-se como estátua ao nosso lado, esperando o momento certo.

Estou falando de um sentimento que poucos nutrem e, por isso, pouco conhecem. Estou falando da amizade, da calma, da paciência, do bem querer, do respeitar, do falar alto sem gritar, do sorrir no chorar, do ouvir, do aceitar, do acreditar de que o amigo é capaz, mesmo quando não consegue andar.

Amizade...

Queira Deus que possamos, a partir de já, nos apresentarmos a ela. E assim poderemos, amanhã, apresentá-la a alguém. Quem será?

Desconheço o autor.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Almas que se encontram


Dizem que para o amor chegar não há dia, não há hora e nem momento marcado para acontecer. Ele vem de repente e instala-se no mais sensível dos nossos órgãos, o coração.

Começo a acreditar que sim. Mas percebo também que, pelo fato deste momento não ser determinado pelas pessoas, quando chega, quase sempre os sintomas são arrebatadores. Vira tudo às avessas e a confusão faz-se de convidada.

Quando duas almas se encontram, o que realça primeiro não é a aparência física, mas a semelhança das almas. Elas compreendem-se e sentem falta uma da outra. Entristecem-se por não terem se encontrado antes, afinal tudo poderia ser tão diferente.

No entanto, sabem que o caminho é este e que não haverá retorno para as suas pretensões. É como se elas falassem além das palavras, entendessem a tristeza do outro, a alegria, o desejo, mesmo estando em lugares diferentes.

Quando almas afins se entrelaçam passam a sentir saudade uma da outra num processo contínuo de reaproximação até a consumação. Almas que se encontram podem sofrer bastante também, pois muitas vezes tais encontros acontecem em momentos onde não mais podem extravasar toda a plenitude do amor que carregam, toda a alegria de amar e querer compartilhar a vida com o outro, toda a emoção contida à espera do encontro fatal.

Desejam coisas que se tornam quase impossíveis, mas que são tão simples de viver. Como ver o pôr-do-sol, caminhar por uma estrada com lindas árvores, ver a noite chegar, ir ao cinema e comer pipocas, rir e brincar, discutir às vezes, mas fazer as pazes com um jeitinho muito especial. Amar e amar, muitas vezes sabendo que logo depois poderão estar juntas de novo sem que a despedida se faça presente.

Porém, muitas vezes, elas encontram-se num tempo e espaço diferentes do que suas realidades possam permitir. Mas depois de se encontrarem, ficam marcadas, tatuadas e ainda que nunca venham a caminhar para sempre juntas, elas jamais conseguirão separar-se. E o mais importante: terão de encontrar-se em algum lugar.

Almas que se encontram jamais se sentirão sozinhas; no entanto, entenderão, por si só, a infinita necessidade que têm uma da outra para toda a eternidade.

Desconheço a autoria.

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Abençoadas!

 
Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho! As belezas que se mostram sem fazer suspense. As afeições compartilhadas sem esforço. As vezes em que a vida nos tira pra dançar sem nos dar tempo de recusar o convite.

As maravilhas todas da natureza, sempre surpreendentes, à espera da nossa entrega apreciativa. A compreensão que floresce, clara e mansa, quando os olhos que vêm são da bondade.

Abençoados sejam os presentes fáceis de serem abertos. Os encantos que desnudam o erotismo da alma. Os momentos felizes que passam longe das catracas da expectativa. Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente. Os diálogos que acontecem no idioma pátrio do coração. Abençoada seja a leveza, meu Deus.

Abençoadas sejam as dádivas generosas que vêm nos lembrar que viver pode ser mais fácil. Que amar e ser amado pode ser mais fluido. Que dá pra girar o dial. Que dá pra sair da frequência da escassez e sintonizar a estação da disponibilidade, onde alegrias já cantam, mas a gente não ouve.
Abençoadas sejam as dádivas que vêm nos lembrar, com alívio, que há lugares de descanso para os nossos cansaços. Que há lugares de afrouxamento para os nossos apertos. Que dá pra mudar o foco. Que não é tão complicado assim saborear a graça possível que mora em cada instante. 

Abençoadas sejam as dádivas generosas que nos surpreendem...

Ana Jácomo.

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Conselho



Deixe de lado esse baixo astral
Erga a cabeça
Enfrente o mal
Que agindo assim
Será vital para o seu coração


É que em cada experiência
Se aprende uma lição
Eu já sofri por amar assim
Me dediquei mas foi tudo em vão


Pra que se lamentar
Se em sua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor
Assim sucumbirá a dor (tem que lutar)


Tem que lutar
Não se abater
Só se entregar
A quem te merecer


Não estou dando nem vendendo
como o ditado diz
o meu conselho é pra te ver, Feliz

Almir Guineto.

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Claudia Mei
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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