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domingo, 29 de janeiro de 2012
Chama da alma
Havia um rei que apesar de ser muito rico, tinha a fama de ser um grande doador, desapegado de sua riqueza. De uma forma bastante estranha, quanto mais ele doava ao seu povo, auxiliando-o, mais os cofres do seu fabuloso palácio se enchiam.
Um dia, um sábio que estava passando por muitas dificuldades, procurou o rei. Ele queria descobrir qual era o segredo daquele monarca.
Como sábio, ele pensava e não conseguia entender como é que o rei, que não estudava as sagradas escrituras, nem levava uma vida de penitência e renúncia, ao contrário, vivia rodeado de luxo e riquezas, podia não se contaminar com tantas coisas materiais.
Afinal, ele, como sábio, havia renunciado a todos os bens da terra, vivia meditando e estudando e, contudo, se reconhecia com muitas dificuldades na alma. Sentia-se em tormenta. E o rei era virtuoso e amado por todos.
Ao chegar em frente ao rei, perguntou-lhe qual era o segredo de viver daquela forma, e ele lhe respondeu:
- Acenda uma lamparina e passe por todas as dependências do palácio e você descobrirá qual é o meu segredo. Porém, há uma condição: se você deixar que a chama da lamparina se apague, cairá morto no mesmo instante.
O sábio pegou uma lamparina, acendeu e começou a visitar todas as salas do palácio. Duas horas depois voltou à presença do rei, que lhe perguntou:
- Você conseguiu ver todas as minhas riquezas?
O sábio, que ainda estava tremendo da experiência porque temia perder a vida, se a chama apagasse, respondeu:
- Majestade, eu não vi absolutamente nada. Estava tão preocupado em manter acesa a chama da lamparina que só fui passando pelas salas, e não notei nada.
Com o olhar cheio de misericórdia, o rei contou o seu segredo:
- Pois é assim que eu vivo. Tenho toda minha atenção voltada para manter acesa a chama da minha alma que, embora tenha tantas riquezas, elas não me afetam.
- Tenho a consciência de que sou eu que preciso iluminar meu mundo com minha presença e não o contrário.
Desconheço a autoria.
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O frio que vem de dentro
Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve e teriam que esperar até o amanhecer para receberem socorro.
Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual se aqueciam. Se o fogo apagasse todos morreriam de frio.
Chegou a hora de cada um colocar mais lenha na fogueira.
O primeiro homem, um racista, olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele negra. Então, raciocinou:
- "Aquele negro!! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro!!!". E guardou-as para protegê-las dos demais olhares.
O segundo homem era um avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor, em torno do fogo bruxuleante e viu um homem da montanha, que mostrava sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor de sua lenha enquanto, mentalmente, sonhava com o seu lucro. E pensou:
- "Eu, dar minha lenha para aquecer um preguiçoso?". E guardou bem guardada sua lenha.
O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão e seu pensamento era muito prático:
- "É bem provável que eu precise dessa lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou sua lenha com cuidado.
O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia, mais do que os outros, os caminhos, os perigos e os segredos da neve. E pensou:
- "Essa nevasca pode durar vários dias, vou guardar minha lenha". E assim fez...
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa, e nas palmas das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido:
- "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei à ninguém, nem mesmo o menor de meus gravetos."
Com esses pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e finalmente apagou.
Ao alvorecer, quando os homens do socorro chegaram na caverna, encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha.
Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse:
- "O frio que os matou não foi o frio de fora, mas sim o frio de dentro!!"
Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual se aqueciam. Se o fogo apagasse todos morreriam de frio.
Chegou a hora de cada um colocar mais lenha na fogueira.
O primeiro homem, um racista, olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele negra. Então, raciocinou:
- "Aquele negro!! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro!!!". E guardou-as para protegê-las dos demais olhares.
O segundo homem era um avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor, em torno do fogo bruxuleante e viu um homem da montanha, que mostrava sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor de sua lenha enquanto, mentalmente, sonhava com o seu lucro. E pensou:
- "Eu, dar minha lenha para aquecer um preguiçoso?". E guardou bem guardada sua lenha.
O terceiro homem era o negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão e seu pensamento era muito prático:
- "É bem provável que eu precise dessa lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou sua lenha com cuidado.
O quarto homem era o pobre da montanha. Ele conhecia, mais do que os outros, os caminhos, os perigos e os segredos da neve. E pensou:
- "Essa nevasca pode durar vários dias, vou guardar minha lenha". E assim fez...
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa, e nas palmas das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido:
- "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei à ninguém, nem mesmo o menor de meus gravetos."
Com esses pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e finalmente apagou.
Ao alvorecer, quando os homens do socorro chegaram na caverna, encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha.
Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse:
- "O frio que os matou não foi o frio de fora, mas sim o frio de dentro!!"
Desconheço a autoria.
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terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Presente de natal
Alfredo acordou em uma véspera de Natal, muito contente, pois uma data muito importante estava para chegar.
Era o dia do aniversário do menino Jesus e, é lógico, o dia em que o Papai Noel vinha visitá-lo todos os anos.
Com seus cinco aninhos, Alfredo esperava ansiosamente o cair da noite para voltar a dormir e olhar o seu pé de meia que estava em frente a porta, pois não tinha árvore de Natal.
Dormiu muito tarde para ver se conseguia pegar aquele velhinho no "flagra", mas como o sono era maior do que sua vontade, dormiu profundamente.
Na manhã de Natal observou que seu pé de meia não estava lá, e que não havia presente algum em toda a sua casa. Seu pai, desempregado, com os olhos cheios de água, observava atentamente seu filho, e esperava tomar coragem para falar que o seu sonho não existia. E, com muita dor no coração, o chamou:
- Alfredo, meu filho, venha cá!
Mas antes mesmo do pai começar a falar ...
- Papai?
- Pois não, meu filho?
- O Papai Noel se esqueceu de mim ...
Falando isso, Alfredo abraçou seu pai e os dois se puseram a chorar. Então, Alfredo falou:
- Ele também esqueceu do senhor, papai?
- Não, meu filho. O melhor presente que eu poderia ter ganho na vida está em meus braços ... e fique tranquilo, pois eu sei que o Papai Noel não esqueceu de você.
- Mas todas as outras crianças vizinhas estão brincando com seus presentes. Ele pulou a nossa casa...
- Não pulou, não... O seu presente está te abraçando agora, e vai te levar para um dos melhores passeios da sua vida!
E, assim, foram para um parque onde Alfredo brincou com seu pai durante o resto do dia, voltando somente no começo da noite para casa.
Chegando em casa muito sonolento, Alfredo foi para o seu quarto, e "escreveu" para o Papai Noel:
- "Querido Papai Noel, eu sei que é cedo demais para escrever e pedir alguma coisa, mas quero agradecer o presente que o senhor me deu. Desejo que todos os Natais sejam como este. Faça com que meu pai esqueça de seus problemas, e que ele possa se distrair comigo, passando uma tarde maravilhosa como a de hoje.
Obrigado pela minha vida, pois descobri que não são com brinquedos que somos felizes, e sim com o verdadeiro sentimento que está dentro de nós, que o senhor desperta nos Natais. De quem te agradece por tudo, Alfredo."
E foi dormir...
Entrando no quarto para dar boa noite ao seu filho, o pai de Alfredo viu a cartinha e, a partir desse dia, não deixou que os seus problemas afetassem a felicidade dele, e começou a fazer com que todo dia fosse Dia de Natal para ambos.
Desconheço a autoria.
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Sobre mim
- Claudia Mei
- É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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