domingo, 11 de julho de 2010

Vamos ser mais

Vamos! Vamos viver bem o dia de hoje.

Hoje é "o" dia.

Vamos vivê-lo intensamente, curtí-lo intensamente. Vamos viver!!

Vamos cantar. Cantar pelo prazer de cantar, sem pensar na afinação, na opinião de quem está nos ouvindo. Cantar o que dá prazer, cantar a música que traz boas lembranças, inventar novas letras e novas melodias, pelo prazer de inventar. Cantarolar baixinho no elevador, cantar bem alto no carro, sem olhar pros lados (eles não são críticos musicais, certo?). Vamos simplesmente cantar.

Vamos dançar. Dançar sem exibicionismo, sem afetação. Dançar pelo prazer de sentir o corpo fluir ao ritmo da música, ao ritmo da imaginação, ou até mesmo sem ritmo.
Dançar coladinho, dançar soltinho, dançar pelo apartamento, pelo corredor do prédio (enquanto o síndico não aparece). Vamos simplesmente dançar.

Vamos Amar! Amar o que merece ser amado, amar quem merece ser amado. Não vamos amar pela metade. Vamos amar muito. Por inteiro. Vamos ser inteiros no ato de amar. Vamos ter menos medo de demonstrar nosso amor. Vamos aprender a demonstrar este amor. Vamos aprender a preservar este amor.

Mas, caso isso não possa mais acontecer, vamos ser sinceros, conosco e com quem amamos, no amor.  Porque não é nada fácil nos separarmos. Cada um sofre um bocado. Então vamos tolerar e compreender quem um dia amamos, porque não é fácil amar por inteiro... Há pessoas que procuram por isso a vida inteira e não encontram. Vamos dar valor ao amor que já tivemos nesta vida. Vamos dissipar os mal-entendidos, pra poder prosseguir inteiros.

Vamos ter menos medo de não sermos compreendidos, de não sermos aceitos. Vamos reconhecer e retribuir o valor do amor que as pessoas sentem por nós.

Vamos amar mais nós mesmos (sem cair no egocentrismo). Vamos compreender nossas qualidades, nossa condição de irmanados neste mundo, e perceber que queremos, precisamos, merecemos ser amados. E vamos nos fazer dignos deste amor. Vamos nos esforçar pra ser merecedores deste amor. Vamos simplificar o ato de amar. Vamos simplesmente amar.

Vamos pensar menos. Vamos ser mais infantis. Vamos nos dar o direito de resgatar as boas coisas de ser criança. Vamos ser mais inocentes, vamos olhar nos olhos com mais franqueza e transparência, vamos ser mais curiosos, vamos sorrir sem travas, vamos nos divertir muito com pouca exigência.

E vamos pedir colo, se quisermos colo. Não vamos ser dissimulados. Vamos desencanar. Vamos ser mais espontâneos. Vamos ser mais crianças. Vamos ser bons. Vamos ouvir o que nos diz o Dalai Lama. "Você não precisa ter uma religião, você precisa ter uma Conduta Ética Positiva".

Vamos ser éticos, vamos agir positivamente. Vamos ser grandes com pequenos gestos, que podem surpreender e significar muito pra quem os recebe. Vamos abrir a porta do carro pra quem nos acompanha, vamos abrir a porta do elevador, ainda que não seja o nosso andar, pra ajudar outra pessoa a descer. Vamos dar atenção à gentileza.

Vamos fazer grandes viagenzinhas. Podemos sonhar com Taiti, por quê não? Mas podemos curtir muito uma cidadezinha nas redondezas. São tantas! Vamos comprar um Guia, deixá-lo no carro, comentar e compartilhar as dicas com nossos familiares e amigos.

Vamos mudar de ares. Vamos pegar o carro e cair na estrada, rodar aí uma centena de quilômetros, aproveitar pra cantar bastante no trajeto. Vamos comer uma comidinha diferente, vamos apreciar um céu que é o mesmo da nossa cidade, mas você sabe que não é o mesmo.

Vamos sentar num banco da Praça Matriz (sempre há uma) e não pensar em nada. Apenas, respirar fundo (você já respirou fundo hoje?). Vamos ver, fotografar, filmar, bater perna, vamopelaí.

Vamos nos ver mais. Sempre reclamamos que vemos poucos os amigos, principalmente. Vamos curtir mais esta cidade, e curtí-la com quem merece, os nossos verdadeiros amigos. Vamos dar mais valor a eles, vamos compreendê-los mais.

Vamos ser mais amigos dos nossos amigos. Vamos gastar uns interurbanos pra falar com aquele amigão do interior, ele merece essa atenção. Em vez de mandar emails pros amigos, vamos abraçá-los mais. Vamos usar menos a frase "a gente precisa se ver", vamos nos ver mesmo!

Vamos ser mais cantantes, mais dançantes, mais amantes; mais infantis, mais generosos, mais circulantes; vamos ser mais amigos.
Vamos ser mais. Vamos?
Marcos Kim
segunda-feira, 28 de junho de 2010

Convite

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério



A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
 
Lya Luft
domingo, 27 de junho de 2010

Mulheres invisíveis

" Dizem que a uma certa idade nós, mulheres, nos fazemos invisíveis, que nossa atuação na cena da vida diminui e que nos tornamos inexistentes para um mundo onde só cabe o impulso dos anos jovens. 

Eu não sei se me tornei invisível para o mundo, pode ser, porém nunca fui tão consciente da minha existência como agora, nunca me senti tão protagonista da minha vida, e nunca desfrutei tanto cada momento da minha existência. 

Descobri que não sou uma princesa de contos de fada; descobri o ser humano sensível que sou e também muito forte. Com suas misérias e suas grandezas. Descobri que posso me permitir o luxo de não ser perfeita, de estar cheia de defeitos, de ter fraquezas, de me enganar, de fazer coisas indevidas e de não responder às expectativas dos outros. 

E, apesar disso... gostar de mim 

Quando me olho no espelho e procuro quem fui... sorrio àquela que sou. Me alegro do caminho andado, assumo minhas contradições. Sinto que devo saudar a jovem que fui com carinho, mas deixa-la de lado porque agora me atrapalha. Seu mundo de ilusões e fantasias, já não me interessa. É bom viver sem ter tantas obrigações. Que bom não sentir um desasossego permanente causado por correr atrás de tantos sonhos. 

A vida é tão curta e a tarefa de vive-la é tão difícil que quando começamos a aprende-la, já é hora de partir " 

Autor desconhecido.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Canção dos homens

Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo

- filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que quando nos sentarmos à mesa para jantar
ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos.

E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.

Que se estou cansado demais para fazer amor,
ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.
Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".

Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.

Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.

Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente,

Ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.

Lya Luft

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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