quinta-feira, 31 de maio de 2012

A árvore dos meus amigos


Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro.

A todas elas chamamos de amigos. Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles. O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e mãe. Mostram o que é ter vida. Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.


Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros e nos trazem muitas alegrias.

Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos pertos.

Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que, quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra. 


O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas. Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações. Mas o que nos deixa mais felizes é que os que cairam continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria através das lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam o nosso caminho.

Desejo a você, folha de minha árvore, paz, amor, saúde, sucesso, prosperidade. Hoje e sempre ...


Simplesmente por que cada pessoa que passa em nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.

Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso. 

Desconheço a autoria.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tudo a ver


Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu,  você deu flores que ela deixou a seco, você levou para conhecer a sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais  viciante do que LSD, você adora brigar com ela, ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele escuta Sivuca. Ele não emplaca uma semana nos empregos,  está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen, dos irmãos Cohen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia  romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.

Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém, adora sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa... Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.

O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referências.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó. Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é.


Roberto Freire.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Nossa mente, nossa casa

Pode ser grandiosa ou pequenina, suja ou cuidadosamente limpa.

Depende de nós.

Você já observou como agimos com relação aos pensamentos que cultivamos?

Em geral, não temos com a mente o cuidado que costumamos dispensa aos ambientes em que vivemos ou trabalhamos.

Quem pensaria em deixar sua casa ou escritório cheio de sujeira, acumulando lixo ou tomado por ratos e insetos?

Certamente ninguém.

No entanto, com a casa mental somos menos atenciosos. É que permitimos que pensamentos infelizes e maus sentimentos encontrem morada em nosso coração.

E como fazemos isso?

Agimos assim quando permitimos que tenham livre acesso às nossas mentes os pensamentos de revolta, inveja, ciúme, ódio.

Ou quando cultivamos desejo de vingança, rancor e infelicidade.

Nesses momentos, é como se enchêssemos de sujeira a mente. Uma pesada camada de pó cobre a alegria e impede que estejamos em paz.

Além da angústia que traz, a mente atormentada influencia diretamente o corpo, acarretando doenças e sofrimentos desnecessários.

E pior: contribui para o isolamento.

Sim, porque as pessoas percebem quando não estamos bem espiritualmente.

O azedume de nossas palavras, o rosto contraído, tudo faz com que os outros desejem se afastar de nós, agravando nossa infelicidade.

E o que fazer para impedir que isso aconteça?

A vigilância é essencial para quem deseja a mente saudável.

Nossa tarefa é observar cada pensamento que se infiltra, analisar a natureza dos sentimentos que surgem.

E, principalmente, estar alerta para arrancar como erva daninha tudo o que possa nos prejudicar.

É tempo de falarmos sobre a fraqueza que carregamos ou a tristeza que nos abate. É o momento de pedir força moral. Ajudar-se mutuamente.

É importante não haver acomodação. É preciso trabalhar para ser merecedor da ajuda.

Como fazer isso?

Contrapondo a cada mau pensamento os vários antídotos que temos à nossa disposição: as boas atitudes, o sorriso, a alegria, as boas leituras.

Em vez da maledicência, a boa palavra, as conversas saudáveis.

No lugar da crítica ácida, optar pelo elogio ou pela observação construtiva.

Se surgir um pensamento infeliz, combatê-lo com firmeza.

Não se deixe escravizar.

Se alguém o ofender ou fizer mal, procure perdoar, esquecer. E peça a Deus a oportunidade de ser útil a essa pessoa.

Não esqueça: todo dia é excelente oportunidade para iniciar a limpeza da casa mental.

Comece agora mesmo.


Desconheço a autoria.

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

O encanto nosso de cada dia


Ainda bem que o tempo passa! Já imaginou o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda feira (ou sexta) eterna?

A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura. Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma forma de desintegrar a sua essência.

Dizem que havia uma menina que se maravilhava todas as manhãs com a presença de um pássaro encantado. Ele pousava em sua janela e a presenteava com um canto que não durava mais que cinco minutos. A beleza era tão intensa que o canto a alimentava pelo resto do dia.

Certa vez, ela resolveu armar uma armadilha para o pássaro encantado. Quando ele chegou ela o capturou e o deixou preso na gaiola para que pudesse ouvir por mais tempo o seu canto. O grande problema é que a gaiola o entristeceu, e triste, deixou de cantar.

Foi então que a menina descobriu que, o canto do pássaro só existia porque ele era livre. O encanto estava justamente no fato de não o possuir. Livre, ele conseguia derramar na janela do quarto, a parcela de encanto que seria necessário, para que a menina pudesse suportar a vida.

O encanto alivia a existência. Aprisionado, ela o possuia, mas não recebia dele o que ela considerava ser a sua maior riqueza: o canto!

Fico pensando que nem sempre sabemos recolher só encanto. Por vezes, insistimos em capturar o encantador, e então o matamos de tristeza.

Amar talvez seja isso: ficar ao lado, mas sem possuir. Viver também. Precisamos descobrir que há um encanto nosso de cada dia que só poderá ser descoberto à medida em que nos empenharmos em não reter a vida.

Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as novas descobertas.

Há uma beleza escondida nas passagens. Vida antiga que se desdobra em novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos os obstáculos da passagem.

Deixar a vida seguir. Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis à medida em que os dividimos... E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar.

Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando. Uma redenção está sendo nutrida nessa hora. Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte. Preste atenção. São miúdos, mas constantes.

Olhe para a janela de sua vida e perceba o pássaro encantado na sua história. Escute o que ele canta, mas não caia na tentação de querê-lo o tempo todo só pra você. Ele só é encantado porque você não o possui.

E nisto consiste a beleza desse instante: o tempo está passando, mas o encanto que você pode recolher será o suficiente para esperar até amanhã, quando o passaro encantado, quando você menos imaginar, voltar a pousar na sua janela.

Padre Fábio de Melo.

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domingo, 27 de maio de 2012

Gente fina


Gente fina é aquela que é tão especial, que a gente nem percebe se é gorda, magra, velha, moça, loira, morena, alta ou baixa.

Ela é gente fina, ou seja, está acima, de qualquer classificação. Todos a querem por perto.

Tem um astral leve, mas sabe aprofundar as questões, quando necessário.

É simpática, mas não bobalhona.

É uma pessoa direita, mas não escravizada pelos certos e errados: sabe transgredir, sem agredir.

Gente fina é aquela que é generosa, mas não banana.

Te ajuda, mas permite que você cresça sozinho.

Gente fina diz mais "sim" do que "não" e faz isso naturalmente, não é para agradar.

Gente fina se sente confortável em qualquer ambiente: num boteco de beira de estrada ou num castelo no interior da Escócia.

Gente fina não julga ninguém - tem opinião, apenas.

"Um novo começo de era, com gente fina, elegante e sincera".

O que mais se pode querer?

Gente fina, não esnoba, não humilha, não trapaceia, não compete e, como o próprio nome diz, não engrossa, só se abusarem da sua paciência ... aí, sim!

Não veio ao mundo pra colocar areia no projeto dos outros.

Ela não pesa, mesmo sendo gorda, e não é leviana, mesmo sendo magra.

Gente fina é que tinha que virar tendência...

Porque, colocando na balança, é quem faz toda a diferença.

Martha Medeiros.

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sábado, 26 de maio de 2012

Tudo depende só de mim


Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia-noite.

É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.

Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.

Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.

Posso reclamar de minha saúde ou dar graças por estar vivo.

Posso me queixar aos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.

Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.

Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.

Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.

Se as coisas não saíram como planejei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.

O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.

Tudo depende só de mim!

Sir Charles Chaplin.

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ser feliz é correr riscos


Feliz é aquele que saboreia quando come, enxerga quando olha, dorme quando deita, compreende quando reflete, aceita-se e aceita a vida como ela é.

Há quem diga que felicidade depende, antes de tudo, de bastar-se a si próprio; de não depender de ajuda, de opinião e, sobretudo, de não se deixar influenciar por ninguém.
 
Será mesmo?

Você pode imaginar uma pessoa assim?
 
Lao Tzé dizia: "Grande amor, grande sofrimento; pequeno amor, pequeno sofrimento; não amor, não sofrimento".
 
Pode imaginar você um homem sem paixão, sem desejos? A felicidade, entendida assim, não seria apenas um engôdo, algo contra a natureza humana?

Evidentemente! Sem amor, sem paixão, que sentido teria a existência?

A felicidade é proporcional ao risco que se corre. Quem se protege contra o sofrimento, protege-se contra a felicidade.

Quem se torna invulnerável, torna sem sentido a existência.

O homem feliz aceita ser vulnerável. O homem feliz aceita depender dos outros, mesmo pondo em risco sua própria felicidade.

É a condição do amor e de todas as relações humanas, sem o que a vida não teria sentido.

Jean Onimus.

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

O que é amar?

 
Amar é olhar para dentro de si mesmo e dizer: eu quero é viver intensamente.

É sonhar com uma gota de realidade é realizar uma gota desse sonho.

É estar presente até na ausência. Amar é ter em quem pensar.

É uma razão que ninguém teria razão de tirar.

É ser só de alguém e não deixar esse alguém só.

É pensar em você tão alto ao ponto de você escutar.

Amar é ir até a morte, é acordar para a realidade do sonho, é vencer através do silêncio.

É ser feliz até com um pouco quando muito não é o bastante.

Amar é dar anistia ao coração. É sonhar o sonho de quem sonha com você. É sentir saudade, é chegar perto da distancia.

Amar é a força da razão, é quando os momentos são eternos.

 Amar é viver a vida em versos e o inverso.

Desconheço a autoria.

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Ostra feliz não faz pérola


Ostras são moluscos, animais sem esqueletos, macias, que são as delícias dos gastrônomos. Podem ser comidas cruas, de pingos de limão, com arroz, paellas, sopas.

Sem defesas – são animais mansos – seriam uma presa fácil dos predadores. Para que isso não acontecesse, a sua sabedoria as ensinou a fazer casas, conchas duras, dentro das quais vivem.

Pois havia num fundo de mar uma colônia de ostras, muitas ostras. Eram ostras felizes. Sabia-se que eram ostras felizes porque de dentro de suas conchas saía uma delicada melodia, música aquática, como se fosse um canto gregoriano, todas cantando a mesma música. Com uma exceção: de uma ostra solitária que fazia um solo solitário! Diferente da alegre música aquática, ela cantava um canto muito triste...

As ostras felizes riam dela e diziam: “Ela não sai da sua depressão!” Mas não era depressão. Era dor. Pois um grão de areia havia entrado dentro da sua carne e doía, doía, doía. E ela não tinha jeito de se livrar dele, do grão de areia. Mas era possível livrar-se da dor.

O seu corpo sabia que, para se livrar da dor que o grão de areia lhe provocava, em virtude de sua aspereza, arestas e pontas, bastava envolvê-lo com uma substância lisa, brilhante e redonda. Assim, enquanto cantava o seu canto triste, o seu corpo fazia o seu trabalho – por causa da dor que o grão de areia lhe causava.

Um dia passou por ali um pescador com seu barco. Lançou a sua rede e toda a colônia de ostras, inclusive a sofredora, foi pescada. O pescador se alegrou, levou-as para sua casa e sua mulher fez uma deliciosa sopa de ostras.

Deliciando-se com as ostras, de repente, seus dentes bateram num objeto duro que estava dentro da ostra. Ele tomou-a em suas mãos e deu uma gargalhada de felicidade: era uma pérola, uma linda pérola. Apenas a ostra sofredora fizera uma pérola. Ele tomou a pérola e deu-a de presente para a sua esposa. Ela ficou muito feliz.

Ostra feliz não faz pérolas. Isso vale para as ostras e vale para nós, seres humanos.

As pessoas que se imaginam felizes simplesmente se dedicam a gozar a vida. E fazem bem. Mas as pessoas que sofrem, elas têm de produzir pérolas para poder viver.

Assim é a vida dos artistas, dos educadores, dos profetas. Sofrimento que faz pérola não precisa ser sofrimento físico. Raramente é sofrimento físico. Na maioria das vezes são dores da alma.

Rubem Alves.

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terça-feira, 22 de maio de 2012

Do deserto


Por quantas dimensões a vida precisa passar?

Por quantas estradas precisamos caminhar em busca do grande segredo da existência?

A tarefa é difícil, mas não há argumento que nos impeça de seguir adiante. 

Não sabemos o que levou as coisas a serem como são. Não sabemos o que nos espera adiante. Mas devemos tentar ir o mais longe possível.

Mesmo no meio do deserto, é importante descobrir as maravilhas enterradas na areia.


Texto do poeta L. Eisley (1907-1977).

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segunda-feira, 21 de maio de 2012

O homem que criou asas



Era um homem, um homem comum, que um comum destino parecia controlar inteiramente. Um animal doméstico bem cuidado.

Um dia sentiu um incômodo nos dois ombros, distensão muscular, má posição no trabalho…

Foi piorando e resolveu olhar-se no espelho, de lado, inteiro e nu, depois do banho. Não havia dúvida: duas saliências oblíquas apareciam em sua pele abaixo dos ombros. Teve medo, mas decidiu não comentar com ninguém, e como não transava frequentemente com a mulher, conseguiu esconder tudo quase um mês.

Passou a analisar todos os dias aquele fenômeno que, em vez de assustador, agora o intrigava. Curioso, mas sem sofrer – pois não doía - foi observando aquilo crescer. E pensava:

- "Nem adianta ir ao médico, porque se for um tumor (ou dois) tão grande não tem mais remédio, é melhor morrer inteiro que cortado".

Certa vez, quando se masturbava no banheiro, na hora do prazer, sentiu que elas enfim se lançavam de suas costas, e viu-se enfeitado com elas, desdobradas como as asas de um cisne que apenas tivesse dormido e, acordando, se esponjasse sobre as águas. Ficou ali, nu, diante do espelho, estarrecido!

Agora ele não era um homem comum com contas a pagar, emprego a cumprir. Era um homem com um encantamento.

Em certas noites quando todos dormiam, ele saía para o terraço, tirava a roupa e varava os ares.

Sua mulher notou alguma coisa diferente no corpo de seu marido. Nada mais que isso.


As coisas se complicaram quando, já habituado à sua nova condição, o homem-anjo olhou em torno e, sendo ainda apenas um homem de asas, sentiu-se muito só. E começou a pensar nisso...

Então, olhou em torno e ... se apaixonou!

Na primeira noite com sua amante, esqueceu o problema, tirou a roupa toda, e quando ela começava a apalpar-lhe as costas, o par de asas se abriu, arqueou-se unindo as pontas bem no alto por cima dele, na hora do supremo prazer.

Mas essa mulher/amante não se assustou, não se afastou. Apertou-se mais a ele, e disse:

- "Vem comigo, vem comigo, vem comigo..."

E abriu suas asas também...

Lya Luft.

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sábado, 19 de maio de 2012

Atrás da porta


Atrás da porta
(Chico Buarque)

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua...

Ivete Sangalo.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

A felicidade e o acaso


Para que lado cai a bolinha?

O filme começa com a câmera parada no centro de uma quadra de tênis, bem na altura da rede. Vemos então uma bolinha cruzar a tela em câmera lenta. Depois ela cruza de volta, e cruza de novo, mostrando que o jogo está em andamento. De repente, a bolinha bate na rede e levanta no ar. A imagem congela. O locutor diz que tudo na vida é uma questão de sorte. Você pode ganhar ou perder. Depende do lado que vai cair a bolinha.

É o início de "Match Point", filme de Woody Allen, que é uma versão mais sofisticada, mais sensual e mais trágica de um outro filme do cineasta, na minha opinião um de seus melhores: "Crimes e Pecados", de 1989. Em ambos, a eterna disputa entre a estabilidade e a aventura, entre render-se à moral ou desafiá-la, o certo e o errado flertando um com o outro e gerando culpa. Onde, afinal, está a felicidade?

Certa vez li (não lembro a fonte) que felicidade é a combinação de sorte com escolhas bem feitas. De todas as definições, essa é a que chegou mais perto do que acredito. Dá o devido crédito às circunstâncias e também aos nossos movimentos. Cinquenta por cento para cada. Um negócio limpo.

Em "Crimes e Pecados", Woody Allen inclinava-se para o pragmatismo. Dizia textualmente: somos a soma das nossas decisões. Tudo envolve o nosso lado racional, até mesmo as escolhas afetivas. Casamentos acontecem por vários motivos, entre eles por serem um ótimo arranjo social – e nem por isso desonesto. E até mesmo a paixão pode ser intencional. No filme, um certo filósofo diz que nos apaixonamos para corrigir o nosso passado. É uma idéia que pode não passar pela nossa cabeça quando vemos alguém e o coração dispara, mas, secretamente, a intenção já existe: você está em busca de uma nova chance de acertar, de se reafirmar. Seu coração apenas dá o alerta quando você encontra a pessoa com quem colocar o plano em prática.

Em "Match Point", Woody Allen passa a defender o outro lado da rede: a sorte como o definidor do rumo da nossa vida. O acaso como nosso aliado. Se a felicidade depende de nossas escolhas, é da sorte a última palavra. Você pode escolher livremente virar à direita, e não à esquerda, mas é a sorte que determinará quem vai cruzar com você pela calçada, se um assaltante ou o Chico Buarque. É a bolinha caindo para um lado, ou para o outro.

Tanto em "Crimes e Pecados" como nesse excelente e impecável "Match Point", fica claro o que todos deveríamos aceitar: nosso controle é parcial. Há quem diga até que não temos controle de nada. Não existe satisfação garantida e tampouco frustração garantida, estamos sempre na mira do imprevisível. Treinamos, jogamos bem, jogamos mal, escolhemos bons parceiros, torcemos para que não chova, seguimos as regras, às vezes não, brilhamos, decepcionamos, mas será sempre da sorte o ponto final.

Martha Medeiros.

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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Família


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema ... não é para qualquer um.

Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes dá até vontade de desistir. Mas a vida sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.

O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente!

Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre veem da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar, tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e pronto: é um verdadeiro desastre! Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Manière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Diet, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.

Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

Francisco Azevedo, do livro "O Arroz de Palma".

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

É preciso saber viver


Estranho que a única certeza que temos na vida é a morte que um dia virá e, mesmo munidos de tal certeza, ainda não nos conformamos com ela.

Contudo ainda não aprendemos a dizer adeus, nem sequer conhecemos a moradia da verdade que há no véu que separa a morte da vida.

Portanto, deveríamos aprender a enxergar esperança por entre as cinzas da tragédia, fazendo de cada recomeço uma honra e não apenas uma responsabilidade.

Passando a enxergar a vida como um roteiro, que às vezes escrevemos e noutras encenamos, e que no fim as apresentações são apenas resultado da soma do enredo do destino com a força das nossas atitudes.

É preciso saber viver!

Leonardo Candido

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Viagem pela vida


Procure um lugar próximo à janela, desfrute cada uma das paisagens que o tempo lhe oferecer, com o prazer de quem realiza a primeira viagem.

Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não lhe deixam ver os caminhos que estão por vir.

Procure curtir a viagem da vida, observando cada arbusto, cada riacho, beirais de estrada e tons mutantes de paisagem.

Desdobre o mapa e planeje roteiros. Preste atenção em cada ponto de parada e fique atento ao apito da partida.

E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou, não hesite. Desembarque nela os seus sonhos.

Que a sua viagem pela vida seja de primeira classe!

Desconheço a autoria.
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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Momentos


Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.  Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela, normalmente, só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. 

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. 

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. 

A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. 

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.

A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.

Então, não perca tempo!

Desconheço a autoria.

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domingo, 13 de maio de 2012

Quando Deus criou as mães...


Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação.

Em quê, afinal de contas, ela era tão especial?

O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado.

Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado.

Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.

Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.

Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola.

Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado.

Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra.

O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.

Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos.

De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.

Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade.

Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.

Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.

Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas.

Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.

Uma mulher. Uma mãe. 

Desconheço a autoria.

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sábado, 12 de maio de 2012

Pétala


Pétala

O seu amor
Reluz
Que nem riqueza
Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar...

Oh! meu amor!
Viver
É todo sacrifício
Feito em seu nome
Quanto mais desejo
Um beijo, um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver
Viver!

Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
Por ser amor
Invade
E fim...


Djavan.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Lições de vida


Cada dia nossas vidas nos ensinam lições que, muitas vezes, nem percebemos. Desde o nosso primeiro piscar de olhos, desde cada momento em que a fome bate, desde cada palavra que falamos.

Passamos por inúmeras situações, na maioria delas somos protegidos, até que um dia a gente cresce e começa a enfrentar o mundo sozinhos. Escolher a profissão, ingressar numa faculdade, conseguir um emprego...

Essas são tarefas que nem todos suportam com um sorriso no rosto ou nem todos fazem por vontade própria.

Cada um tem suas condições de vida e cada qual será recompensado pelo esforço, que não é em vão.

Às vezes acontecem coisas que a gente nem acredita. Às vezes, dá tudo, tudo errado!

Você pensa que escolheu a profissão errada, que você não consegue sair do lugar, às vezes você sente que o mundo todo virou as costas. Parece que você caiu e não consegue levantar. Está a ponto de perder o ar...

Talvez você descubra que quem dizia ser seu amigo, nunca foi seu amigo de verdade e talvez você passe a vida inteira tentando descobrir quem são seus inimigos e nunca chegue a uma conclusão.

Mas nem tudo pode dar errado ao mesmo tempo, desde que você não queira. E aí... você pode mudar a sua vida!

Se tiver vontade de jogar tudo pro alto, pense bem nas consequências, mas pense também no bem que isso poderá proporcionar.

Não procure a pessoa certa, porque no momento certo ela aparecerá.

Você não pode procurar um amigo de verdade ou um amor como quem procura roupas de marca no shopping, e nem mesmo encontra as qualidades que deseja como encontra nas cores e tecidos ou nas capas dos livros.

Olhe menos para as vitrines, mas tente conhecer de perto o que está sendo exibido.

Encontre um sentido para a sua vida, desde que você saiba guiá-la com sabedoria. Não deixe tudo nas mãos do destino, você nem sabe se o destino realmente existe!

Faça acontecer e não espere que alguém resolva os seus problemas, nem fuja deles. Encare-os de frente. Aceite ajuda apenas de quem quer o seu bem, pois embora não possam resolver os seus problemas, quem quer o seu bem te dará toda a força necessária pra que você possa suportar.

E...

Confie! Entenda que a vida é bela, mas nem tanto...

Mas você deve estar de bem consigo mesmo pra que possa estar de bem com a vida.

Costumam dizer por aí que quem espera sempre alcança, mas percebi que quem alcança é quem vai à luta...

Não importa a sua idade, nem o tamanho de seu sonho... a sua vida está em suas próprias mãos e só você sabe o que fazer com ela...

Lilian Roque de Oliveira.

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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Máscaras


É bem provável que você não tenha apenas uma, mas várias máscaras.

Só que, ao invés de usá-las em bailes tradicionais, com data, hora e local apropriados, posso apostar que você usa suas máscaras diariamente, em diversas situações.

Não! Não estou lhe acusando de falsidade ou manipulação. Aliás, não estou falando apenas de você, mas de todos nós. Costumamos usar máscaras por diversos motivos.

Mas existe uma razão principal para esta escolha: o medo de sermos inadequados e, consequentemente, não aceitos.

Acontece que, ultimamente, tenho percebido que uma máscara em especial está sendo bastante usada por muitas pessoas. Este uso generalizado parece ter uma intenção muito positiva.

Entretanto, mais do que causar verdadeira alegria em quem a usa e também em quem a vê, estou certa de que tem causado muito mais angústia, vazio e distanciamento do que realmente importa.

É a máscara do "eu sou feliz".

Claro que ser feliz é muito bom e creio que realmente existam muitas pessoas felizes neste mundo. Mas me parece que os motivos são outros.

Deveríamos nos sentir felizes pelo que somos, por nossa família, pelos amigos de longa data, pelo amor que sentimos por algumas pessoas especiais em nossas vidas. Enfim, parece que deveríamos nos sentir gratos por uma felicidade genuína. Pelo simples fato de estarmos vivos, de termos saúde, de conseguirmos superar dificuldades e termos a oportunidade de nos tornar pessoas melhores por conta disso.

No entanto, a máscara do "eu sou feliz" sustenta um sorriso vazio, um copo de chopp na mão, um cigarro na outra e risadas fáceis demais, sem consistência, sem laços de afeto.

Pense nisso!

Autoria desconhecida.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Onde está a felicidade?


Passei a acreditar que a felicidade mora na inexistente fração de tempo em que o passado toca o futuro. Se o passado é distração e o futuro, preocupação, sobra para nós, perseguidores da felicidade, a inexistente ilusão do presente, em que tu és o que tu fazes, e nada nem ninguém mais importa. Isso é felicidade.

Agora te concentra e tenta materializar um momento que não acontece jamais. Sorria, pois já é quase dia e tu tens que acordar cedo.

A felicidade às vezes se encontra no final das tristezas e decepções que o destino nos reserva; por isso, nunca desista de lutar por aquilo que você quer, principalmente pela sua felicidade, sua vida e as pessoas que você ama. Faça de sua vida um caminho diário da procura de quem te procura. Saiba que tentar outra vez nao é sofrer de novo, mas sim, uma forma de lutar e vencer, apesar de tudo.

Johannes Beeshop.
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terça-feira, 8 de maio de 2012

Receita de alegria


Jogue fora todos os números não essenciais para tua sobrevivência. Isto inclui idade, peso e altura. Que eles preocupem ao médico. Para isto o pagamos.

Conviva, de preferência, com amigos alegres. Os pessimistas não são convenientes para ti.

Continue aprendendo...

Aprenda mais sobre computadores, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe teu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é oficina do diabo. E o nome do diabo é “Alzheimer”.

Ria sempre, muito e alto. Ria até não poder mais. Inclusive de ti mesmo! E quando as lágrimas chegarem, aguente, sofra e ... siga adiante!

Agradeça cada dia que amanhece como uma nova oportunidade para fazer aquilo que ainda não teve coragem de começar. Do princípio ao fim.

Prefira novos caminhos do que voltar a caminhos mil vezes trilhados.

Apaga o cinza de tua vida. E acenda as cores que carrega dentro de ti.

Desperta teus sentidos para que não percas tudo de belo e formoso que te cercas.

Contagie de alegria ao teu redor e tente ir além das fronteiras pessoais a que tenhas chegado aprisionado pelo tempo. Porém lembra-te: a única pessoa que te acompanha a vida inteira és tu mesmo.

Cerca-te daquilo que gostas: família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, seja o que for.

Teu lar é teu refúgio, porém não fiques trancado nele.

Teu melhor capital, a saúde. Aproveite-a. Se é boa, não a desperdice; se não é, não a estrague mais.

Não se renda à nostalgia. Saia à rua. Vá à uma cidade vizinha, a um país estrangeiro...
Porém não viaje ao passado porque dói!

Diga a quem ama, que realmente a ama e faça isso em todas as oportunidades que tiver.

E lembra-te sempre que a vida não se mede pelo número de vezes que respirastes, mas pelos momentos que teu coração palpitou forte: de muito rir; de surpresa; de êxtase; de felicidade... E sobretudo, de amar sem medida.

“Há pessoas que transformam o sol em uma pequena mancha amarela, porém há também as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol” (Pablo Picasso).

Desconheço a autoria.

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quindins na portaria


Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, "Fidelidades", onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença".

Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade. Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.

Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário!

Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.

Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.

Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.

Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até nas minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.

Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.

Pessoas estão jantando.

Pessoas estão preocupadas.

Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.

Pessoas estão chorando.

Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.

Pessoas estão se amando.

Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.

Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá. Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade. Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.

Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo? Nem se discute que o encontro é sagrado.
Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.

Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.

Quando mando flores, vou junto com o cartão.

Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.

Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

Martha Medeiros.

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sábado, 5 de maio de 2012

A inocência


Uma menininha, diariamente, vai e volta andando para a escola. Apesar do mau tempo daquela manhã e de nuvens estarem se formando, ela fez seu caminho diário para a escola.

Com o passar do tempo, os ventos aumentaram e, junto, os raios e trovões.

A mãe pensou que sua filhinha poderia ter muito medo no caminho de volta, pois ela mesma estava assustada com os raios e trovões. Preocupada, a mãe rapidamente entrou em seu carro e dirigiu pelo caminho em direção à escola.

Logo ela avistou sua filhinha andando, mas, a cada relâmpago, a criança parava, olhava para cima e sorria. Outro e outro trovão e, após cada um, ela parava, olhava para cima e sorria!

Finalmente, a menininha entrou no carro e a mãe, curiosa, foi logo perguntando:

- "O que você estava fazendo?"

A garotinha respondeu:

- "Sorrindo! Deus não pára de tirar fotos minhas!"

Desconheço a autoria.

Deixemos que toda inocência floresça em nossos corações para podermos ver a bela e real felicidade que está nos momentos de simplicidade.

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ser casado ou estar casado?

 
Como pode um casal continuar evoluindo, diante dos desafios do viver a dois? Pesquisas relatam que a crise dos sete anos está caindo para os três anos de convívio. Por que será?

A crise inicial de adaptação do casal que passa a conviver, seja ele casado ou não, é esperada. Adaptar-se aos rítmos, costumes e preferências do outro exige esforço, tempo e disposição. Toda a negociação que é exigida neste período é uma arte que a maioria dos casais desconhece, e saber que é necessário negociar não é saber negociar.

Ao conviver, intimamente, as defesas do casal são colocadas em alerta, já que lidar com a intimidade que o viver junto propõe ameaça o eu individual. Cada um pode acionar suas defesas e colocar-se reativo ao outro e, ao invés de cooperar para viver com as diferenças que o casamento evidencia, passa a lutar para eliminar estas diferenças. Um luta contra o outro para superar as diferenças que não aceita. A competição está lançada. A cooperação e a inclusão do outro serão um desafio a ser enfrentado por todos os casais. Aquele que foi escolhido por ser quem ele era passa a ser alvo de tentativas e manobras para tornar-se diferente!

Por outro lado, as pessoas casam e passam a considerar que casadas estão. Elas consideram exatamente isto: que ser casado é o seu novo estado. E estado não se discute, simplesmente é.

Ser casado, vivenciado sob este paradigma, resulta em pressupor ser aceito naturalmente, sem esforço de adaptação. Certas crenças sobre ser casado existentes em nossa cultura ainda criam a expectativa de que há garantias neste estado civil. Por mais que as pessoas saibam que casamento pode não existir para sempre, e que a longevidade do casamento perdeu-se nos tempos do “amor líquido”, muitas acreditam, a priori, que o casamento delas irá sobreviver. Elas partem de representações mentais sobre sua conjugalidade, construídas ao longo da vida, de que ficarão casadas.

Provavelmente estas representações fazem com que estas pessoas adaptem-se ao casamento e confirmem seu projeto de conjugalidade, ou que criem falsas visões sobre seus relacionamentos. Assim, um relacionamento pode ser insatisfatório em vários aspectos, mas confirma o projeto de conjugalidade da pessoa e ela não questiona o que necessita ser mudado.

Outras pessoas, por suas experiências vividas na família de origem ou em sua cultura, chegam ao casamento com a noção de que casamento não é para sempre e que a separação será o desfecho natural para o casamento delas. Porém, lidam concomitantemente com a pressuposição de que a separação ocorrerá um dia, não sabem quando, lá na frente, após a vinda dos filhos, depois que eles crescerem, depois das bodas, depois de consolidar o patrimônio, depois, depois...

Assim, mesmo com o discurso corrente – “se não der certo eu me separo” – as expectativas frente ao casamento contém a ideia de que casar é para ficar casado. Pois no momento em que as pessoas estabilizam sua união e criam compromissos uma com a outra, com dedicação, investimento na relação e parceria, separar-se torna-se uma realidade assustadora. Separar-se ameaça a estrutura da vida. Retira as certezas, tira do equilíbrio, dá medo. E ninguém quer passar por isto.

Vemos aqui o paradoxo: casar pode não ser para sempre. Mas as pessoas vivem como se fosse. A partir do momento que casam, passam a viver como se o casamento por si só fosse a garantia de que ele vai durar. Como se ele fosse um fim em si. Chegou-se ao objetivo, a vida agora é esta. Então não precisa se preocupar muito com o que se faz, nem com o que se diz ou deixa de dizer. As pessoas então acomodam-se, não propriamente ao casamento, mas à ideia que fazem dele, à representação mental que já vem construída antes mesmo do casamento se estabelecer.

A estabilidade é tão necessária que o ser humano economiza energia naquilo que já está garantido na sua vida, para poder investir no que não está. O trabalho, por exemplo, exige grande investimento de tempo, atenção e empenho. Ele raramente é estável. Para ele as pessoas dedicam-se diariamente. Para o casamento não. Ele ali está. Mesmo com carências, fissuras e insatisfações crônicas, a consciência de que ele pode se acabar não é concreta.

Vivida desta maneira, esta realidade é incongruente. Por um lado, o casamento não tem garantias e pode morrer se não for cuidado. Por outro, é vivido como se ele, por si só, fosse a garantia e como se não precisasse de investimento.

Aqui reside o equívoco: ser casado não é garantia de permanecer casado. Para permanecer casado há que ter atitude e disposição, há que ter consciência. Casamento não é uma condição do ser humano e sim uma escolha de vida. Casar é uma opção, e é útil ao casal, ao invés de pensar que é casado, pensar que está casado. A noção de transitoriedade é importante para a consciência da finitude dos laços. Pensar que está casado faz o casal se ver responsável por esta realidade, enquanto crer que é casado cria uma ideia de continuidade e atemporalidade que gera uma atitude passiva frente ao status que se consolida por si. O casal que se conscientiza de que está casado tem que se responsabilizar por continuar casado se assim o desejar. E tem que desenvolver posturas e compromissos responsáveis e conscientes frente à relação conjugal e ao cônjuge, individualmente.

Há uma pergunta básica que fazemos na terapia de casal: “O que obriga vocês a permanecerem casados? “ Em geral a resposta vem automaticamente: “Nada nos obriga”. A consequência desta resposta para o casal é vital: por que querem continuar casados, então? Ao dar esta resposta, cada um tem que pensar o que quer da vida, do casamento, do outro, mas também tem que pensar o que tem que dar de si para obter aquilo que deseja do casamento e do outro.

O que necessitam enfrentar para que o casamento continue? O que cada um quer do casamento? E o que oferta ao casamento para receber o que deseja? O que cada um tem a oferecer ao outro, daquilo que o outro precisa? Estas são algumas perguntas geradoras de reflexões na busca da responsabilidade individual frente ao casamento, que provocam a consciência de que para permanecer casados cada um tem que tomar esta decisão de tempos em tempos.

Se a crise chega cada vez mais cedo na vida dos casais da atualidade, provavelmente eles estão esperando do casamento mais do que ele pode dar e ofertando a ele menos do que ele precisa.


Rosana Ferrari, psicóloga.

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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Algumas gotas de perfume


Os retornos da vida nem sempre são visíveis, nem sempre são caminhos previsíveis ou nem sempre estão ali na frente.

E o fato de se ter que viver nessa incógnita do dia seguinte faz com que alguns fechem-se, como conchas que escondem em si pérolas de inestimável valor.

Muitos hesitam em dar de si porque acham que oferecendo-se, perdem-se. Constroem muros em torno de si, ilham-se.

Certas pessoas não se entregam a amores, ficam reticentes ante abraços e à ternura de abrir-se inteiramente, desfolhar o coração e desnudar a alma, como fazem as flores, sem querer saber o porquê e se haverá algum retorno.

Aqueles que se doam incessantemente, totalmente e integralmente, desgastam-se sem olhar para trás e sem querer ver longe demais, crescem em estatura da alma, mesmo se em alguns momentos o cansaço e o desânimo atingem levemente o coração.

Mas amar incondicionalmente é amar de olhos fechados, é transformar através das nossas vivências a visão que outros têm da vida, é contribuir para a escalada na busca do eterno.

Algumas gotas de perfume recaem sobre nós quando somos bons, quando nosso prazer maior está em servir e nosso eu e nosso ego ficam de lado.

Não é possível dar de si sem que um pouco do gesto não recaia dentro do coração, sem que Olhos atentos e agradecidos estejam pousados sobre nós, abençoando-nos.

Letícia Thompson.

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Viver é acreditar e realizar o impossível


Faça um pacto com você mesmo: ao contrário de tentar adivinhar intenções, desfrute o sentimento verdadeiro de estar com outro.

É comum opor-se emoção e razão, mas poucas pessoas percebem que a maioria das emoções nascem justamente de pensamentos. São simples reações que ocorrem a partir da ideia que se faz da atitude do outro, seja no trabalho, em casa ou numa roda de amigos.

Atribui-se ao outro certas intenções e reage-se a elas. São diferentes dos sentimentos, que nascem da convivência do estar com o outro, e não da idéia que fazemos dele.

Quando sentimos raiva, por exemplo, não é que estejamos insatisfeitos com o que aconteceu a nós, mas sim com o que imaginamos que tenha sido a intenção de alguém:

“Estou com raiva porque acho que você não me respeitou”.

“Estou com raiva porque isso que você fez não é típico de quem ama”.

Será que a intenção do outro era mesmo respeitar?

Será que, porque fez isso, ele não te ama?

Conflitos de relacionamentos são quase sempre o resultado de interpretações errôneas, tentativas de adivinhar intenções e muito pouco o resultado do sentimento verdadeiro de estar com o outro.

Lidar com os sentimentos, os próprios e os dos outros, é uma arte. Precisa ser cultivada e treinada com qualquer outra arte. Portanto, agora, procure isentar seus relacionamentos de preconceitos ou pré-juízos. Procure aceitar os outros como eles são.

Para os outros dias de sua vida, faça um trato com você mesmo: vá de mente e coração limpos ao encontro das pessoas do seu convívio. Deseje estar com elas e esteja integralmente.

Ao contrário de tentar desvendar o propósito do outro com você, estabeleça consigo mesmo o seu propósito de estar aberto para a outra pessoa. E, se lhe parece difícil viver em harmonia com as pessoas à sua volta, acredite que sim.

E quando lhe disserem que algo em que você acredita é impossível, tenha paciência. Talvez ele não saiba de verdade que a vida é o eterno ato de transformar o impossível em realidade.

Viver é acreditar e realizar o impossível.

Antes de Santos Dumont, ninguém achava possível fazer voar um aparelho mais pesado que o ar. Até que ele acreditou e, com determinação, criou o avião.

Com exceção de mudar o outro, tudo é possível.

Desde que alguém acredite, abandone seus preconceitos e se proponha a concretizá-lo.

Desconheço o autor.

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terça-feira, 1 de maio de 2012

Tempo de começar



Todo dia é um novo desafio a vencer. Desafios que, aos olhos de muitos, podem parecer tão simples e, para outros, tão complexos e insuperáveis.

Na verdade, são fases na vida de cada ser humano que jamais devemos esquecer. Cada desafio nos ajuda a não nos tornarmos insensíveis, frios e desinteressados.

Servem para valorizar a raça e a nossa condição de humanos; aceitar que temos direito a errar, aprender e superar - sem, contudo, deixar que a luta diária se torne a nossa cadeia perpétua.

Dinheiro não é tudo na vida e nem tudo tem preço.

Não podemos deixar os valores fundamentais morrerem.

É preciso resgatar a família e, de verdade, dedicar o tempo de que precisam nossos filhos, irmãos, esposas, maridos, mães, pais, avós; resgatar a verdadeira amizade, essa que não morre nunca, porque não tem compromisso nem laços sanguíneos e surge livre e espontânea, sem pedir nem exigir nada; resgatar a confiança das pessoas; acreditar na palavra empenhada e cultivar, praticar e propagar a honestidade; exigir o que é justo, fazer valer os nossos direitos e respeitar os direitos dos outros.

Nunca foi tão necessário voltar a acreditar; nos tornarmos homens e mulheres de fé, que acreditem num tempo melhor para as novas gerações.

Mas não é só falar: precisamos assumir o compromisso pessoal, nos transformarmos em agentes de mudança, nos espalharmos na sociedade como um vírus na internet e ver se, de uma vez por todas, conseguimos uma mudança real para a nossa sociedade e deixamos um mundo melhor para os filhos dos nossos netos.

Você e eu sabemos que o tempo é curto.

Então é tempo de começar!

Desconheço a autoria.

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Claudia Mei
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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