terça-feira, 29 de novembro de 2011

Razões para sorrir

 
“Como é que consegue estar sempre sorrindo, o que faz para estar sempre tão contente?”, perguntaram não há muito tempo a uma mulher famosa e bastante sensata.

E ela explicou que também tinha, como todo a gente, os seus momentos de tristeza, de cansaço, de inquietude, de mal-estar.

- “Mas conheço o remédio para esses momentos: sair de mim mesma, interessar-me pelos demais, compreender que aqueles que nos rodeiam têm o direito de nos ver alegres.

Penso que quando sorrio e me mostro alegre passo felicidade aos demais. E, ao passar essa felicidade, acontece como que um reflexo, que traz mais felicidade para dentro de mim também.

Creio que quem não está sempre somente preocupado com sua própria felicidade e se dedica a ajudar na procura da felicidade dos outros, acaba por encontrar a sua própria, assim, quase sem se dar conta! Por isso, as pessoas que se esforçam por sorrir mesmo sem motivos, acabam por ter motivos para sorrir”.

- “E isso não é vontade de se enganar a si mesmo? Para sorrir você deve alcançar um estado tal que a alegria possa invadir o seu coração. Caso contrário, isso é como uma máscara, é falso”.

- “O bom humor é uma vitória sobre o próprio medo e a própria debilidade. As pessoas mal humoradas escondem sua insegurança ou sua angústia atrás de um semblante brusco e distante, e com o tempo isso acaba tornando-se um hábito e se converte em um traço de seu carácter. Quando isso acontece, é bem mais difícil que o bom humor saia naturalmente, mas isto só ocorre porque esta pessoa alterou o que é da própria natureza humana, ou seja, a alegria. Desta forma, deverá esta pessoa sair desse círculo vicioso, e isto não será antinatural, muito pelo contrário, é o que pede a natureza.

Mas fala dos efeitos de medos e debilidades, e medos e debilidades todos temos… Precisamente por isso, a diferença entre uns e outros está no modo de os enfrentar. O sensato é fazê-lo com um pouco de bom humor, rindo-se um pouco de si mesmo se for necessário.

Tudo o que se faz sorrindo sempre nos ajuda a sermos mais humanos, a moderar as nossas tendências, a sermos mais capazes de compreender os demais e até a nós mesmos.

É uma grande sorte ter ao redor pessoas que sabem sorrir. E o sorriso é algo que cada um tem que construir pacientemente na sua vida”.

- “Construir? Com quê?”

- “Com equilíbrio interior, aceitando a realidade da vida, querendo aos demais, saindo de si mesmo, esforçando-se por sorrir, mesmo que não tenha muita vontade como já dissemos antes. É algo que deve ser praticado com constância”.

- “Mas não se pode encarar tudo na vida com bom humor. Existem muitas coisas que não têm nenhuma graça…”

- “Mas, mesmo que não tenham nenhuma graça, sempre se pode tirar delas algum ensinamento, algum bem, mesmo que seja difícil de encontrar e demoremos anos para entender. Em algumas situações, pode ser útil desenvolver a capacidade de aplicar o bom humor para neutralizar a carga trágica das contrariedades”.

Alfonso Alguiló.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quebra-cabeça


Um cientista vivia preocupado com os problemas do mundo e estava resolvido a encontrar meios de minorá-los. Passava dias em seu laboratório em busca de respostas para suas dúvidas.

Certo dia, seu filho de sete anos invadiu o seu santuário decidido a ajudá-lo a trabalhar. O cientista, nervoso pela interrupção, tentou que o filho fosse brincar em outro lugar.

Vendo que seria impossível demovê-lo da ideia, o pai procurou algo que pudesse ser oferecido ao filho com o objetivo de distrair sua atenção.

De repente deparou-se com o mapa do mundo em uma revista! Era justamente o que procurava! Com o auxílio de uma tesoura, recortou o mapa em vários pedaços e, junto com um rolo de fita adesiva, entregou ao filho dizendo:

- “Você gosta de quebra-cabeças? Então vou lhe dar o mundo para consertar. Aqui está o mundo todo partido. Veja se consegue consertá-lo bem direitinho! Faça tudo sozinho”.

Calculou que a criança levaria dias para recompor o mapa. Porém, algumas horas depois, ouviu a voz do filho que o chamava calmamente:

- “Pai, pai, já fiz tudo. Consegui terminar tudinho!”

A princípio o pai não deu crédito às palavras do filho. Seria impossível na sua idade ter conseguido recompor um mapa que jamais havia visto. Relutante, o cientista levantou os olhos de suas anotações, certo de que veria um trabalho digno de uma criança. Mas, para sua surpresa, o mapa estava completo. Todos os pedaços haviam sido colocados nos devidos lugares. Como era possível? Como o menino havia sido capaz?

- “Você não sabia como era o mundo, meu filho, mas mesmo assim você conseguiu? Como?”

- “Pai, eu não sabia como era o mundo, mas quando você tirou o papel da revista para recortar, eu vi que do outro lado havia a figura de um homem. Quando você me deu o mundo para consertar, eu tentei, mas não consegui. Foi aí que me lembrei do homem, virei os recortes e comecei a consertar o homem que eu sabia como era. Quando consegui consertar o homem, virei a folha e vi que havia consertado o mundo”.

Autoria desconhecida.
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domingo, 27 de novembro de 2011

Uma pedra no caminho


Em tempos bem antigos, um rei colocou uma pedra enorme no meio de uma estrada. Então, ele se escondeu e ficou observando para ver se alguém tiraria a imensa rocha do caminho.

Alguns mercadores e homens muito ricos do reino passaram por ali e, simplesmente, deram a volta pela pedra. Alguns até esbravejaram contra o rei dizendo que ele não mantinha as estradas limpas, mas nenhum deles tentou sequer mover a pedra dali.

De repente, passa um camponês com uma boa carga de vegetais. Ao se aproximar da imensa rocha, ele pôs de lado a sua carga e tentou remover a rocha dali. Após muita força e suor, ele finalmente conseguiu mover a pedra para o lado da estrada. Ele, então, voltou a pegar a sua carga de vegetais, mas, antes de continuar seu caminho, notou que havia uma bolsa no local onde estava a pedra.

A bolsa continha muitas moedas de ouro e uma nota escrita pelo próprio rei que dizia que o ouro era para a pessoa que tivesse removido a pedra do caminho. O camponês aprendeu o que muitos de nós nunca entendeu:

“Todo obstáculo contêm uma oportunidade para melhorarmos nossa condição”.

Desconheço a autoria.
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sábado, 26 de novembro de 2011

Ouça seu coração


Ouça com muita atenção, com muita consciência e você nunca errará. E, ouvindo o seu coração, você começará a seguir na direção certa, sem mesmo pensar no que é certo ou errado.

E seguí-lo, onde quer que ele o leve.

Sim, algumas vezes ele o deixará frente a frente com alguns perigos – mas, lembre-se, esses perigos são necessários para que você amadureça.

Outras vezes, ele o fará se extraviar – mas, lembre-se mais uma vez, errar o caminho faz parte do crescimento.

Muitas vezes você cairá – torne a levantar-se, porque é assim que se reúnem forças, caindo e levantando-se novamente.

É assim que se fica integrado...

Mas não siga regras impostas pelo mundo exterior. Nunca imite, seja sempre original. Não vire uma cópia em papel carbono. Mas é isso o que está acontecendo no mundo todo – cópias e cópias em papel carbono.

Cristo é Cristo, Buda é Buda, Krishna é Krishna, e você é você. E você não é, de maneira nenhuma, menos do que ninguém. Respeite-se, respeite sua voz interior e siga-a.

E lembre-se: não estou garantindo a você que essa voz sempre o levará ao lugar certo. Muitas vezes ela o levará ao lugar errado, pois, para encontrar a porta certa, é preciso bater primeiro em muitas portas erradas. É assim que as coisas são.

Se você topar, de repente, com a porta certa, não será capaz de reconhecer se ela é a certa. Portanto, lembre-se de que, no final das contas, nenhum esforço é jamais desperdiçado; todos os esforços contribuem para o apogeu do seu crescimento.

Portanto, não hesite, não fique tão preocupado quando cometer um erro.

Isso é um problema: ensinam às pessoas a nunca fazer nada errado, e então elas hesitam; ficam tão receosas, tão apavoradas com a possibilidade de fazer alguma coisa errada, que ficam empacadas. Não conseguem sair do lugar, alguma coisa pode dar errado. Então, ficam como pedras, perdem todos os movimentos.

Cometa tantos erros quanto possível! Lembre-se apenas de não cometer o mesmo erro duas vezes. E você estará crescendo.

Osho.
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Cinco minutos


No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem. Ela disse:

 - “Aquele ali é meu filho, o de suéter vermelho deslizando no escorregador”.

- “Um bonito garoto” – respondeu o homem. E completou: 

- “Aquela de vestido branco, pedalando a bicicleta, é minha filha”.

Então, olhando o relógio, o homem chamou a sua filha.

- “Melissa, o que você acha de irmos?”

E Melissa suplicou:

- “Mais cinco minutos, pai. Por favor. Só mais cinco minutos!”

O homem concordou e Melissa continuou pedalando sua bicicleta, para alegria de seu coração.

Os minutos se passaram, o pai levantou-se e novamente chamou sua filha:

- “Hora de irmos, agora?”

Mas, outra vez Melissa pediu:

- “Mais cinco minutos, pai. Só mais cinco minutos!”

O homem sorriu e disse:

- “Está certo!”

- “O senhor é certamente um pai muito paciente” – comentou a mulher ao seu lado.

O homem sorriu e disse:

- “O irmão mais velho de Melissa foi morto no ano passado por um motorista bêbado, quando brincava em sua bicicleta, perto daqui. Eu nunca passei muito tempo com meu filho e agora eu daria qualquer coisa por apenas mais cinco minutos com ele. Eu me prometi não cometer o mesmo erro com Melissa. Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta. Na verdade, eu é que tenho mais cinco minutos para vê-la brincar!”

Em tudo na vida estabelecemos prioridades. Quais são as suas?

Lembre-se: nem tudo o que é importante é prioritário, e nem tudo o que é necessário é indispensável!

Dê hoje, a alguém que você ama, mais cinco minutos de seu tempo!

Autor desconhecido.

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Presentes



 
Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tinha cura. Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe.

Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão da mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam. Ao passar por uma loja de discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos da sua idade, que parecia ser feita de ternura e beleza. Foi amor à primeira vista.

Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada. Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde ela estava. Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa.

Era o sorriso mais lindo que ele já havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD. Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era e disse:

- “Este aqui…”

- “Quer que eu embrulhe para presente?” – perguntou a moça, sorrindo ainda mais. Ele balançou a cabeça para dizer que sim e disse:

- “É para mim mesmo, mas eu gostaria que você embrulhasse”.

Ela saiu do balcão e voltou pouco depois com o CD muito bem embalado. Ele pegou o pacote, pagou e saiu, louco de vontade de ficar por ali, admirando aquela figura divina.

Daquele dia em diante, todos as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD qualquer. Todas as vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava no armário, sem sequer abrir. Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela e assim, por mais que ela sempre o recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem de convidá-la para sair e conversar. Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou a chamá-la para sair.

Um dia ele se encheu de coragem e foi para a loja. Como todos os dias, comprou outro CD e, como sempre, ela foi embrulhá-lo. Quando ela não estava vendo, escondeu um papel com seu nome e telefone no balcão e saiu da loja correndo.

No dia seguinte o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a soluçar e disse:

- “Então, você não sabe? Ele faleceu esta manhã”.

Mais tarde, após o enterro do filho, a mãe entrou no quarto dele, ficou olhando os objetos, livros, abriu o armário para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com a quantidade de CDs, todos embrulhados. Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito:

- “Você é muito simpático! Não quer me convidar para sair? Eu adoraria…”

Emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também caiu um papel que dizia o mesmo, e assim todos quantos ela abria traziam uma mensagem de carinho e a esperança de conhecer o rapaz.

Assim é a vida: não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que você sente. Diga-o já … amanhã pode ser muito tarde!

Desconheço a autoria.


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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Valorize o que você tem

 
O dono de um pequeno comércio, amigo do poeta Olavo Bilac, uma das maiores figuras do parnasianismo brasileiro, abordou-o na rua:

- “Senhor Bilac, preciso vender meu sítio, aquele que o senhor conhece tão bem”, disse. “Será que poderia me ajudar, redigindo um anúncio para o jornal?”

Bilac apanhou o papel e escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda”.

Meses depois, Bilac voltou a encontrar o homem e perguntou se havia vendido o sítio.

- “Nem pensei mais nisso”, respondeu ele. “Quando li o anúncio percebi a maravilha que tinha. Às vezes desprezamos as coisas boas que possuímos e vamos atrás da miragem de falsos tesouros”.

Moral da estória:

Olhe em volta, valorize o que você tem, as pessoas amadas, os amigos com os quais pode de fato contar, o conhecimento que adquiriu, sua boa saúde e as belezas da vida, que são verdadeiramente seu mais precioso tesouro.

Autor desconhecido.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Coisas que temos feito

 
Olhe para todos em seu redor e veja o que temos feito de nós.

Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.

Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.

Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construimos, tememos que sejam armadilhas.

Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.

Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.

Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de sermos inocentes.

Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.

Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.

Muitos de nós fazem arte por não saber como é fazer outra coisa.

Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.

Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.

Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.

Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.

Temos chamado de fraqueza a nossa candura.

Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.

E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia…

Clarice Lispector.

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Cuidado com o amor!


O amor é maravilhoso, não é? É, responde a humanidade em coro. Mas por que será que as pessoas mudam de personalidade quando apaixonadas?
 
Um homem ao lado da mulher que ama é outra pessoa, alguém que nem a própria mãe seria capaz de reconhecer. Ele é capaz de dizer que não acha a menor graça em Angelina Jolie, que quem ama é sempre fiel e que para ele só existem duas coisas que realmente importam: ela - em primeiro lugar - e o time pelo qual torce.

Se você encontrar esse mesmo homem com dois amigos num bar, vai descobrir que se trata de outra pessoa, só pelo som das gargalhadas - que, aliás, serão muitas. Mas quando você chegar, fique certa de que o assunto vai mudar e o assunto vai ficar mais sério.

Quem ama se transforma em uma pessoa diferente, com outros gostos e outras opiniões, pelo menos quando estão juntos. E aquela mulher que, quando ouvia os primeiros compassos de uma música animada começava a mexer o corpo e a cantarolar a letra, hoje em dia, quando ouve o primeiro acorde fica surda, perde a memória e nem pensa nas lembranças que a música traz. E ele, que se apaixonou exatamente porque ela mexia não só o corpo, mas também o gelo do copo de uísque com o dedo, agora diz "vê se maneira na bebida"; e, quando olha para aquela mulher austera, não entende por que a vida já foi tão melhor.

Você já foi à praia com seu namorado, claro. Quando o romance começou, ele brincava e atiçava seus ciúmes com elogios às gostosas que passavam; e você ria, no máximo lhe dava um beliscão leve e amoroso, tão segura estava do seu amor. Agora, se encontrar uma revista de mulher pelada no carro, é capaz de ficar de tromba por uma semana. Você conseguiu transformá-lo num marido, e se transformou numa esposa, e por nada no mundo faria um "strip" para ele, como já fez; certas coisas não são para serem feitas de aliança no dedo.

Tente ir a um restaurante com um casal apaixonado: é praticamente impossível, pois o mundo deles é outro, e nele não há lugar para pessoas normais. Os assuntos são completamente diferentes dos que quando estão sozinhos e, sobretudo, as opiniões. Casais costumam votar no mesmo candidato, e poucas mulheres seriam capazes de declarar que vão votar em Gabeira, se o voto dos maridos vai para Crivella. Raras, eu diria.

Vá com seu marido a um show em que as mulheres aparecem com os seios de fora. Nervoso ele vai ficar - todos ficam - mas depois do primeiro momento (e do seu primeiro olhar para ele), lembrará que você virou "a patroa" e vai ficar com cara de quem está olhando uma paisagem. Mas faça uma experiência e proponha irem a uma praia de nudistas: um homem das cavernas vai surgir de dentro daquele que te encantava quando passava a mão nas suas pernas no carro, no meio do trânsito.

Mas quando ela vai almoçar com duas amigas, na segunda caipirinha volta a ser a mulher divertida que era antes, e que não é mais; não quando está com ele.

Onde foi parar esse homem? Onde foi parar aquela mulher que vivia feliz e risonha, que não queria nada da vida a não ser ficar com ele, agarrada, apaixonada? Quem ama não mata - não com uma faca ou com um revólver - mas costuma fazer desaparecer a pessoa que conheceu e por quem se apaixonou, o que é uma forma de matar. Ou mata a si próprio.

Danuza Leão.

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domingo, 20 de novembro de 2011

A idade do céu


Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...

Autor: Paulinho Moska
Interpretes: Simone e Zélia Duncan





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sábado, 19 de novembro de 2011

Simplesmente ser


Eu tenho cada vez mais menos respostas, mas também tenho cada vez mais menos perguntas. Disso eu não duvido: tenho cada vez mais menos certezas.

Quanto mais o tempo passa, eu fico menos à vontade para alimentar dores e com muito mais preguiça de sofrer. Quanto mais o tempo passa, menos faço por onde adiantar a morte, mais tento fazer por onde aproximar a vida.

Coisas que já me importaram à beça já não me importam nem um pouco, enquanto aquilo que essencialmente sempre teve importância me importa, agora, com mais nitidez.

Como deve acontecer com outros tantos aprendizes da coragem, às vezes, cansadíssima das lições e do método pedagógico, eu recordo que a covardia, pelo menos na aparência, é bem mais fácil, bem menos trabalhosa e, claro, bem mais egoísta, eu já estive lá com muito mais frequência.

Mas aí, justo neste ponto, costuma acontecer algo bem bonito: também recordo de cada flor que veio à tona só porque tive coragem de cuidar da semente. Só porque não me acovardei, mesmo que tantas vezes com todo medo do mundo.

Ana Jácomo.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O caminho

 
Eu estava andando nos jardins de um asilo de loucos, quando encontrei um jovem rapaz, lendo um livro de filosofia.

Pelo seu jeito, e pela saúde que mostrava, não combinava muito com os outros internos.

Sentei-me ao seu lado e perguntei:

- O que você está fazendo aqui?

O rapaz olhou surpreso. Mas, vendo que eu não era um dos médicos, respondeu:

- É muito simples. Meu pai, um brilhante advogado, queria que eu fosse como ele. Meu tio, que tinha um grande entreposto comercial, gostaria que eu seguisse seu exemplo. Minha mãe desejava que eu fosse a imagem do seu adorado pai. Minha irmã sempre me citava seu marido como exemplo de um homem bem-sucedido. Meu irmão procurava treinar-me para ser um excelente atleta como ele.

Parou um instante e continuou:

- E o mesmo acontecia com meus professores na escola, o mestre de piano, o tutor de inglês - todos estavam determinados em suas ações e convencidos de que eram o melhor exemplo a seguir. Ninguém me olhava como se deve olhar um homem, mas como se olha no espelho.

- Dessa maneira, resolvi me internar neste asilo. Pelo menos aqui eu posso ser eu mesmo.

Paulo Coelho.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Navegar é preciso


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:    

"Navegar é preciso;  viver não é preciso".  

Quero para mim o espírito desta frase,   
transformada a forma para a casar como eu sou:  



Viver não é necessário;  o que é necessário é criar.  
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.  
Só quero torná-la grande,   
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.  

Só quero torná-la de toda a humanidade;   
ainda que para isso tenha de a perder como minha.  
Cada vez mais assim penso.  

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue   
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir  
para a evolução da humanidade.  

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Receita da dona Cacilda


Dona Cacilda é uma senhora de 92 nos, miúda, e tão elegante, que todo o dia, às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução.

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, eu dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas de tecido florido que enfeitavam a janela. Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma a garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Ah, eu adoro essas cortinas.

- Dona Cacilda, a senhora ainda não viu seu quarto, espera mais um pouco.

- Isso não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada. Vai depender de como eu preparo a minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

- Simples assim?

- Nem tanto; isso é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos.

Calmamente ela continuou:

- Cada dia é um presente; e, enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua 'Conta de Lembranças'. E aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.

Depois me pediu para anotar:

1. Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixe seu médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago.

2. Frequente, de preferência, seus amigos alegres. Os "baixo-astrais" puxam você para baixo.

3. Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é a oficina do diabo. E o nome do diabo é Alzheimer.

4. Curta coisa simples.

5. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego; ria para você mesma no espelho, ao acordar e que o sorriso seja sua última 'atitude' antes de dormir.

6. Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesmo. Esteja vivo enquanto você viver e seja uma boa companhia para si mesmo.

7. Esteja sempre rodeado daquilo de que você gosta: pode ser família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio, sua mente seu paraíso.

8. Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a da maneira mais simples: caminhe, sorria, beba água, ore, veja comédias, leia piadas ou histórias de aventuras, romances e comédias.

9. Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping, para cidade vizinha, para um país estrangeiro, pegue carona numa cauda de cometa, imagine os mais diversos objetos formados pelas nuvens no céu, mas evite as viagens ao passado, pois você pode ficar retido na estação errada. Escolha as lembranças que quer ter; não se deixe dominar por elas ou perderá o direito à escolha.

10. Diga a quem você ama que você realmente o ama, e diga isso em todas as oportunidades, através do olhar, do toque, das palavras, das ações diárias e do carinho. Seja feliz com seu próprio sentimento e não exija retribuição; você terá, de graça, o que o outro sentir; nada mais, nada menos.

Livro: Códigos da Vida
Autor: Legrand
Editora: Soler Editora.


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Sobre a sabedoria

 
Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamentos, não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida.

Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na benção de DEUS que permitiu a cura.

Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram nas dificuldades. Elas serão uma prova de sua capacidade e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.

Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior. A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.

A sabedoria superior tolera, a inferior julga. A superior alivia, a inferior culpa. A superior perdoa, a inferior condena.

Tenha sabedoria superior, seja um eterno aprendiz na escola da vida.

Chico Xavier .


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domingo, 13 de novembro de 2011

A rosa



Um certo homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente e, antes que ela desabrochasse, a examinou. Ele viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou:

“Como pode uma bela flor vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?”

Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa, e, antes que estivesse pronta para desbrochar, ela morreu.

Assim é com muitas pessoas. Dentro de cada alma há uma rosa: as qualidades dadas por Deus e plantadas em nós crescendo em meio aos espinhos de nossas faltas. Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos, os defeitos.

Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior. Nós nos recusamos a regar o bem dentro de nós, e consequentemente, isso morre. Nós nunca percebemos o nosso potencial. algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas; alguém mais deve mostrá-la a elas.

Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. Essa é a característica do amor: olhar uma pessoa e conhecer suas verdadeiras faltas. Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições.

Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos. Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes.

Desconheço a autoria.

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Viver não dói


Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais. 

Martha Medeiros.
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sou professora



Quando digo que sou Professora, em geral, as pessoas respondem com um "Ah!" tão insípido que tenho vontade de responder:

Em que outra profissão poderias pôr laços no cabelo, fazer penteados inovadores e ver um desfile de moda todas as manhãs?

Onde te diriam todos os dias:


- "Professora, você é linda!"

Em que outro trabalho te abraçariam para dizeres o quanto te querem bem?

Onde serias tão importante que pudesses chegar à estrela do desfile e escutar seu coração?

Em que outro trabalho esquecerias de tuas tristezas para atender a tantos joelhos esfolados e corações afligidos?

Em que outro local de trabalho receberias mais flores?

Onde mais poderias iniciar na escrita uma mãozinha que, quem sabe, um dia poderá escrever um livro?

Em que outro lugar receberias tantos sorrisos?

Em que outro lugar te fariam um retrato grátis?

Em que outro lugar tuas palavras causariam tanta admiração?

Em que outro lugar te receberiam com abraços depois de teres faltado 1 dia?

Onde poderias assistir na 1ª fila a execução de grandes obras de Arte?

Onde mais poderias aprofundar teus conhecimentos sobre bichos-da-seda, caracóis, formigas e borboletas?

Em que outro trabalho derramarias lágrimas por ter que terminar um ano de relações tão felizes?

Sinto-me grande trabalhando com os pequenos.

Desconheço autoria.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Amor e orgulho


Conta-se que, em algum lugar da China, havia um sábio ancião que decidia questões conjugais. Era ele quem abençoava os casais que queriam se unir e orientava os que estavam se desentendendo, dizendo-lhes se deveriam ou não se separar.

Certa vez o ancião foi procurado por dois jovens a quem havia abençoado alguns anos antes e que agora falavam em separação. O sábio, percebendo que os dois ainda se amavam, não viu motivo para que desfizessem a união, mas não conseguia convencê-los disso. Então, presenteou-os com uma planta e disse:

- Esta é uma planta muito sensível. Vocês devem deixá-la na sala e, quando ela morrer, poderão se separar.

Assim foi feito. O casal colocou a planta no centro da sala e ficou aguardando “ansiosamente” a sua morte.

Certa madrugada, ambos se flagraram com regadores em punho, cuidando da planta. Naquele dia, amaram-se como nunca.

A planta sensível era, na verdade, a relação dos dois. O amor era forte o suficiente a ponto de acordá-los em plena madrugada. Mas, então, o que estaria ameaçando aquela união?

O orgulho! O orgulho nos impede de pedir perdão. O orgulho não nos deixa perdoar. O orgulho não nos deixa dizer que ainda amamos...

Desconheço o autor.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Viva o presente


Aborrecer-se com antecipação ou alimentar tristezas pelo passado apenas consomem a pessoa. São como o junco que fenece ao ser cortado.

O segredo da saúde da mente e do corpo está em não lamentar o passado, em não se afligir com o futuro e em não antecipar preocupações.

Mas está no viver sábia e seriamente o presente momento. Não viva no passado. Não sonhe com o futuro. Concentre a mente no momento presente.

Buda.

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lição de vida

 
Tenha sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos … mas o que é importante não muda: a tua força e convicção não têm idade.

O teu espírito é como qualquer teia de aranha … atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.

Atrás de cada conquista, vem um novo desafio…

Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.

Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas…

Continue, quando todos esperam que desista…

Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.

Faça com que, em vez de pena, tenham respeito por você…

Quando não conseguir correr através dos anos, vá mais devagar. Se não conseguir ir mais devagar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.

Mas nunca, nunca se detenha!

 Madre Teresa de Calcutá.


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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Eu desisto ...


É isso mesmo, entreguei os pontos, não dá mais, acabou.

Essa frase soa com tanta força, não é? Mas é verdade, eu desisti mesmo; de um monte de coisas...

Desisti de reclamar de quem não quer aprender. Decidi me concentrar em quem quer...
E se você olhar bem direitinho, perto de você tem um monte de gente sedenta de conhecimento.

Desisti de tentar emagrecer para ser igual a todo mundo. Resolvi ter o peso que eu devo ter, por uma questão de saúde, por uma questão de bem estar. Só isso.

Desisti de tentar fazer com que as pessoas pensem do jeito que eu gostaria que elas pensassem. Achei melhor buscar respeitar o outro do jeito que ele é. Imagina se o mundo fosse feito de milhões de pessoas iguais a mim ... seria um tormento!

Desisti de procurar um emprego perfeito e apaixonante. Achei que estava na hora de me apaixonar pelo meu trabalho e fazer dele o acontecimento mais incrível da minha vida, enquanto ele durar.

Desisti de procurar defeito nas pessoas. Achei que estava na hora de colocar um filtro e só ver o que as pessoas têm de melhor. Defeito todo mundo acha, quero ver achar qualidades em quem parece não tê-las.

Desisti de ter o celular mais “psico-tecno-cibernético” do mercado. Agora eu só quero um telefone, pra falar. É muito frustrante comprar o mais novo modelo e dias depois ver que ele já foi superado. É pra isso que a indústria trabalha. Aproveitei o gancho e apliquei o conceito também a outros produtos: relógio, computador, máquina fotográfica, carro.

Desisti de impor minha opinião sobre tudo. Decidi que, de agora em diante, vou ouvir todas as opiniões, mesmo as contrárias, e vou tentar tirar proveito de cada uma delas.
É mais barato compartilhar as opiniões do que brigar para manter só uma.

Desisti de ter tanta pressa. Tudo na vida tem seu tempo, e se não acontecer, não era pra acontecer. Não quer dizer que eu vou “deixar a vida me levar” e parar de correr atrás do que eu acredito, mas não vou me desesperar se eu perder o vôo. Sei lá o que vai acontecer com o avião...

Desisti de correr da chuva. Tem coisa mais bacana que tomar banho de chuva?
Há quanto tempo você não sente aquele cheiro de terra molhada? E se o resfriado chegar, qual o problema? Não vai ser o primeiro nem o último...

Desisti de estudar por obrigação. Agora eu faço da leitura um momento de prazer...
Cadeira confortável, pezão pra cima, um chocolate quente, minha gata ronronando do lado. Os livros agora ficaram menores e mais fáceis, mesmo que seja a CLT ou a NBR 9004.

Desisti de buscar uma planilha de indicadores toda verdinha. Os índices são assim mesmo, às vezes melhoram, às vezes pioram. Isso é o mundo real. Eu não vou deixar de fazer a gestão sobre eles, mas decidi que não vou mais sofrer por isso. Bons ou ruins eles devem gerar aprendizado e isso é o mais importante.

Desisti de trabalhar para fazer o meu sistema da qualidade ser perfeito. Eu prefiro mantê-lo sob controle, funcionando, ajudando as pessoas, ajudando os processos, dando resultados, mesmo que aos poucos. Com essa filosofia eu ganhei um monte de parceiros, ao invés de cultivar inimigos.

Se eu fosse você, desistia também ... tem um monte de coisas que você faz, carrega e sente, que não precisa!

By Thais Cadorim.

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domingo, 6 de novembro de 2011

Atritos


Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso. É nos relacionamentos que nos transformamos. Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas. À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida. A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato. Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa. Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas. Faz parte ... Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência. Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise.

Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheia de excessos. Os seres de grande valor percebem que, ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando, finalmente, aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago. É lá que está o verdadeiro valor. Pois Deus fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor. Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar, mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e os superando. Ora, esse sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento, e envolvimento gera atrito.

Minha palavra final: atrite-se!

Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado.

Roberto Crema.


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sábado, 5 de novembro de 2011

Quero

 
Sigo a vida conforme o roteiro, sou quase normal por fora, pra ninguém desconfiar. Mas por dentro eu deliro e questiono.

Não quero uma vida pequena, um amor pequeno, um alegria que caiba dentro da bolsa. Eu quero mais que isso.

Quero o que não vejo.

Quero o que não entendo.

Quero muito e quero sem fim.

Não cresci pra viver mais ou menos, nasci com dois pares de asas, vou aonde eu me levar.

Por isso, não me venha com superfícies, nada raso me satisfaz. Eu quero é o mergulho. Entrar de roupa e tudo no infinito que é a vida. E rezar – se ainda acreditar – pra sair ainda bem melhor do outro lado de lá.

Fernanda Mello.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mais uma vez


Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você
mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente

Veja a nossa vida como está
mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar nos sonhos que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar

Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança...
Quem acredita sempre alcança...
Quem acredita sempre alcança...
Quem acredita sempre alcança...

Renato Russo.



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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sugestões para quem sofre


Experimente olhar tudo em seu fluxo feito de conexões e desconexões eternas e começará a compreender a complexidade da tarefa de viver.

Vida é o drama criativo da existência. Existir e insistir será sempre problemático. Impõe cautela, acuidade, observação, ausência de plenas respostas. Viver dói, mas cura. Apesar dos erros.

Repare em tudo o que começa a dar certo dentro de você, compatibilizando seu ser com a sua vida. Prepare-se para o que começa a se encaminhar para o que é bom em você!

Seja capaz de aceitar e também enfrentar tudo de melhor que tem. É preciso força e coragem para aceitar o bem que mora em nós. Coragem serena, não arrogância.

Prepara-se para a sua capacidade de amar, para sua melhor beleza, para fazer cada vez melhor o que você sabe, seja quindim, amor, coleção de selos, estudos transcendentais, harpa, pipoca, sinuca ou cirurgia ocular.

Prepara-se para dar certo. Para ser querido. Para merecer o amor que teme. Aceite a pluralidade da vida. Somos vários num só e há muitas verdades no mundo, todas precárias. “Há tantas religiões quanto pessoas” (dizia Ghandi). Há tantos métodos quanto indivíduos.

Experimente descobrir e até, se for possível, aceitar a visão da verdade que impulsiona o seu adversário e anima a luta de seu inimigo. Ouça o que ele tem a ensinar, ainda que sob o manto da maldade ou da injustiça.

Pense em todas as direções, com mão e contramão em cada estrada. Repare que só cresce e melhora quem entra, enfrenta e aceita o seu pior.

Abra-se sem receio para tudo o que seja compreensão, até do que nunca foi nem será entendido. Aceite a complexidade que faz a vida e anima o homem a se agitar neste mundo, buscando realizar o que nunca conseguirá plenamente, mas lhe dará o alívio do dever cumprido uma das grandes Graças de Deus.

Arthur da Távola.

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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O quebrador de pedras

 
 
Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida. Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que frequentavam a mansão.

"Quão poderoso é este mercador!", pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante. Para sua grande surpresa ele, repentinamente, tornou-se um comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele.

Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem.

"Quão poderoso é este oficial!" ele pensou. "Gostaria de poder ser um alto oficial!"

No mesmo instante ele tornou-se um alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Como era umm dia de verão quente, o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo.

"Quão poderoso é o Sol!" ele pensou. "Gostaria de ser o Sol!"

Então, ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores. Mas um dia, uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele.

"Quão poderosa é a nuvem de tempestade!" ele pensou "Gostaria de ser uma nuvem!"

Na mesma hora ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso.

"Quão poderoso é o Vento!" ele pensou. "Gostaria de ser o vento!"

Então, ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra!

Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar. Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha.

"Quão poderosa é a rocha!" ele pensou. "Gostaria de ser uma rocha!"

Então, ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, imóvel. Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado.

"O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!?" pensou surpreso.

Então, olhando para baixo, ele viu a figura de um quebrador de pedras...

Desconheço a autoria.

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Coragem para continuar

 
O que revela a nossa força não é sermos imbatíveis, incansáveis, invulneráveis. É a coragem de avançar, ainda que com medo. É a vontade de viver, mesmo que já tenhamos morrido um pouco ou muito, aqui e ali, pelo caminho. É a intenção de não desistirmos de nós mesmos, por maior que às vezes seja a tentação.

São os gestos de gentileza e ternura que somente os fortes conseguem ter.

Ana Jácomo.

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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