segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Conjugando o conjugal


Palavra para a qual raramente se atina é conjugal. Por que conjugal? Porque viver junto (não me refiro apenas ao casamento contratual tradicional) é conjugar.

Conjugar é viver todos os tempos e pessoas dos verbos. É saber ser eu, ser tu, ser ele, ser nós, ser vós e ser eles, sem perda da individualidade fundamental.

Conjugar é viver vários tempos – presente, passado e futuro – e várias pessoas em nós.

Conjugar é, pois, articular a complexidade de cada ser com a complexidade do parceiro/a.

Mas conjugar é, também, com+jugo. É estar com o jugo amoroso do outro. É com jugar. Não é subjugar (como no machismo tradicional). É estar não sob o jugo, mas com o jugo (compreensivo e amoroso) do outro. É estar com a vivência do amor em todas as pessoas (eu, tu, ele, nós, vós, eles). É ser vários em um. É uma troca permanente e não a imposição de uma das partes.

Conjugal, cônjuge, portanto, mais do que a palavra tornada fria pelo uso, possui o sentido profundo de conjugação, integração, articulação do par amoroso, através de uma união que pode se chamar casamento, amor, amizade colorida, transa, tanto faz. Cônjuge é quem conjuga com e não quem mora com ou tem o papel assinado ratificando o caráter legal da união.

Para conjugar o verbo amar é preciso conjugar o verbo ser. O amar é um exercício de felicidade, não de poder.

Artur da Távola.

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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Só o amor tem olhos


As pessoas dizem que o amor é cego porque elas não sabem o que é o amor.

Só o amor tem olhos. 


Além do amor, tudo é cego.

Osho.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Fio de cabelo

 
Uma mulher acordou uma manhã, após a quimioterapia, olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo na cabeça.

- "Bom", ela disse, "acho que vou trançar meus cabelos hoje."

Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça.

- "Hummm", pensou, "acho que vou repartir meu cabelo no meio hoje."

Assim ela fez e teve um dia magnífico.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça.

- "Bem", ela disse, "hoje vou amarrar meu cabelo em rabo de cavalo."

Assim ela fez e teve um dia divertido.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.

- "Yeeesss...", exclamou, "hoje não preciso pentear meu cabelo."

Atitude é tudo!!!

Seja mais humano e agradável com as pessoas. Cada uma das pessoas com quem você convive está travando algum tipo de batalha.

Viva com simplicidade.

Ame generosamente.

Cuide-se intensamente.

Fale com gentileza.

E, principalmente, não reclame.

Preocupe-se em agradecer pelo que você é e por tudo o que tem!

E deixe o restante com Deus.

Desconheço a autoria.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ousar para mudar


Um filósofo passeava por um bosque com o seu discípulo. O tema da conversa, naquela tarde, era sobre os encontros com que deparamos na nossa vida. 

Ensinava o filósofo que um encontro é sempre uma surpresa que nos mostra o novo, e o encanto das coisas que não conhecemos, dos caminhos que podemos descobrir.

Um encontro é sempre uma oportunidade para aprender, para crescer e para ensinar.

Num determinado momento passavam em frente de um portal de aparência miserável, que contrastava com uma propriedade bem situada num parque de rara beleza.

"Olha este lugar", comentou o discípulo, "é mesmo como o mestre diz: muita gente está no paraíso, sem se dar conta disso. Num belo sítio como este, vive-se miseravelmente."

Mas o mestre explicou:

"Não podemos julgar à primeira vista: precisamos verificar as causas, pois só entendemos o mundo quando entendemos as causas que o fazem mover".

Bateram à porta e foram recebidos pelos moradores do casebre: um casal e três filhos, com as roupas sujas e rotas.

"Vocês vivem aqui no meio da floresta, não há nenhum comércio por aqui perto", disse o mestre ao pai da família. "Como é que vocês conseguem viver?"

"Meu amigo", respondeu o homem, "nós temos uma vaquinha que nos dá uns litros de leite todos os dias. Vendemos uma parte do leite e compramos o que é necessário na cidade vizinha. Com uma outra parte fazemos queijo e manteiga para comermos. E assim vamos vivendo e Deus é servido."

O filósofo agradeceu a hospitalidade e a informação e os dois prosseguiram na sua viagem. Um pouco mais adiante, passaram ao lado de um poço. Diz o filósofo ao aluno:

"Vai procurar a vaca daquele senhor e jogue-a no poço."

"Como assim, se ele só tem aquela vaca para a sua sobrevivência?"

Mas o filósofo não deu resposta e o aluno lá foi procurar a vaca e jogou-a no poço.

O discípulo nunca mais esqueceu aquela cena.

Passados muitos anos, quando já era um empresário de sucesso, o discípulo decidiu voltar ao mesmo lugar, confessar àquela família o que tinha feito, pedir-lhe perdão e ajudá-la financeiramente.

Mas qual não foi seu espanto ao ver aquele lugar transformado numa bela quinta, com árvores floridas, carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. O homem ficou ainda mais desesperado pensando que aquela humilde família tinha sido obrigada a vender a propriedade para sobreviver. Apressou o passo e foi recebido por um caseiro muito simpático.

"Para onde foi a família que aqui vivia há uns quinze anos?"

"Continua aqui, são eles os donos da quinta", foi a resposta.

Surpreendido, quis falar com o proprietário. Este logo o reconheceu e perguntou-lhe como estava o filósofo. Mas o discípulo estava ansioso por saber como é que ele tinha conseguido melhorar a quinta e mudar tudo.

"Bem, disse ele", nós tínhamos uma vaca com que nos sustentávamos. Acontece, porém, que ela caiu no poço e morreu. Então, para manter a família tive que plantar uma horta com legumes. As plantas levavam algum tempo para crescer e vi-me obrigado a cortar madeira para vender. Ao fazê-lo tive que replantar as plantas e precisei comprar sementes. Ao comprá-las, lembrei-me da roupa dos meus filhos e pensei que pudesse cultivar algodão. Passei um ano difícil, mas quando a ceifa chegou, eu já estava vendendo legumes, algodão e ervas aromáticas. Nunca tinha me dado conta do potencial que tinha aqui.

Foi uma sorte danada aquela vaca ter morrido!

Legrand.

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Os Estatutos do Homem

 
Os Estatutos do Homem 
(Ato Institucional Permanente)
A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e, de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem; que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

      Parágrafo único:
      O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías; e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, o uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.

      Parágrafo único:
      Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

Thiago de Mello.
 
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sábado, 22 de outubro de 2011

Carta de uma mãe ao mundo



Caro mundo,


Meu filho começou hoje na escola. Agora tudo será diferente para ele.


Esta manhã ele vai sair pela porta da rua, acenar para mim e começar sua grande aventura. Por isso gostaria que você o pegasse pela mão e ensinasse o que ele precisa saber.


Ensine-o que, para cada malandro que existe por aí, existe também um herói.


Que para cada político corrupto existe um líder dedicado.


Que para todo inimigo existe também um amigo.


Ensine-o que é muito mais digno fracassar do que trapacear.


Ensine-o a ter fé nas próprias idéias, mesmo quando todo mundo lhe disser que está errado.


Ensine-o a vender seu cérebro e seus músculos pelo mais alto preço, mas que seu coração e sua alma jamais estejam à venda.


Ensine-o a fechar os ouvidos para o clamor da multidão …  e manter-se firme e disposto a lutar quando achar que está certo.


Ensine-o com carinho, mundo, mas não o mime, pois é o teste de fogo que produz o aço mais resistente.


Essa é a lei, mundo, mas veja o que você pode fazer por mim.


Ela é uma criança tão especial ….


Este é o coração de mãe ….


Adaptação do livro "Histórias para aquecer o coração das mulheres"
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cardápio da alma


Arroz, feijão, bife, ovo. Isso nós temos no prato, é a fonte de energia que nos faz levantar de manhã e sair para trabalhar. Nossa meta primeira é a sobrevivência do corpo. Mas como anda a dieta da alma?

Outro dia, no meio da tarde, senti uma fome me revirando por dentro. Uma fome que me deixou melancólica. Me dei conta de que estava indo pouco ao cinema, conversando pouco com as pessoas, e senti uma abstinência de viajar que me deixou até meio tonta. Minha geladeira, afortunadamente, está cheia, e ando até um pouco acima do meu peso ideal, mas me senti desnutrida. Você já se sentiu assim também, precisando se alimentar?

Revista, jornal, internet, isso tudo nos informa, nos situa no mundo, mas não sacia. A informação entra dentro da casa da gente em doses cavalares e nos encontra passivos, a gente apenas seleciona o que nos interessa e despreza o resto, e nem levantamos da cadeira neste processo. Para alimentar a alma é obrigatório sair de casa. Sair à caça. Perseguir.

Se não há silêncio à sua volta, cace o silêncio onde ele se esconde, pegue uma estradinha de terra batida, visite um sítio, uma cachoeira, ou vá para a beira da praia; o litoral é bonito nesta época, tem uma luz diferente, o mar parece maior, há menos gente.

Cace o afeto, procure quem você gosta de verdade, tire férias de rancores e mágoas, abrace forte, sorria, permita que lhe cacem também.

Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos. Vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente, o que lhe provoca prazer de olhar, sentir, sorver. Entre numa galeria de arte. Vá assistir a um filme de um diretor que não conhece. Olhe para sua cidade com olhos de estrangeiro, como se você fosse um turista. Abra portas. E páginas.

Arroz, feijão, bife, ovo. Isso me mantém de pé, mas não acaba com meu cansaço diante de uma vida que, se eu me descuido, torna-se repetitiva, monótona, entediante. Mas nada de descuido. Vou me entupir de calorias na alma. Há fartas sugestões no cardápio. Quero engordar no lugar certo. O ritmo dos dias é tão intenso que às vezes a gente esquece de se alimentar direito.

Martha Medeiros.
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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

As mulheres são verdes


Conversando com um velho homem, um jovem desabafou:

- Há tanto tempo venho querendo conhecer uma garota e hoje, conseguindo falar-lhe por telefone, fiquei decepcionado...

- Mas por que?, indagou o velho homem.

- Eu lhe perguntei, timidamente, como ela era e ela, rindo, me respondeu: sou verde!

- E por que a resposta o chocou?

- Ora, amigo, ela estava debochando de mim!

Ouvindo isso, o velho homem pôs-se a falar:

- Meu jovem, você não entendeu que ela estava se comparando a uma árvore!

- Árvore? Como assim?!

- Menino, as mulheres são como as árvores: elas fincam raízes no solo dos nossos corações; têm paciência e capricho com o próprio crescimento; seus braços são poderosos e, ao abraçá-las, nossos espíritos recebem renovadas energias; elas amam e cuidam dos seus frutos, mesmo sabendo que, um dia, o mundo os levará para longe delas;

Outras – aquelas que não dão frutos – oferecem sua sombra àqueles que necessitam de descanso; quando açoitadas por fortes ventos da vida, elas emanam o perfume da força e da fé, acalmando-nos, por mais assustadora que seja a noite;

Sua seiva são as lágrimas de dor ou de alegria quando em presença do machado ofensor ou do regador daqueles que as amam; seus corações vão alto o suficiente para escutarem mais de perto os recados do céu;

Elas reverdecem as florestas dos homens, as ruas das cidades, as avenidas, os acostamentos de estradas e as beiras de rios; elas entendem o canto dos passarinhos e, mais do que ninguém, elas valorizam e protegem seus ninhos; suportam melhor a solidão e as vicissitudes que a vida às vezes nos impõe; no mundo, elas nascem em maior número para que o verde da esperança jamais empalideça;

Meu menino, todas as mulheres são árvores, todas as mulheres são verdes!

Ao final desse relato, o rapaz refletiu:

- Eu tenho um triste jardim no peito, nele está faltando uma árvore!

… e correu para o telefone mais próximo!

Silvia Schmidt, do livro "Nossas Raízes".

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Escola de fadas




Era uma vez, há muitos e muitos anos, uma escola de fadas. Conta-se que naquele tempo, antes de se tornarem fadas de verdade, as fadinhas passavam por um estágio.

Durante um certo período elas saíam em duplas para fazer o bem e, no final de cada dia, apresentavam à fada mestre um relatório das boas ações praticadas.

Aconteceu então, um dia, que duas fadinhas estagiárias, depois de vagarem exaustivamente por todos os cantos, regressavam frustradas por não terem podido praticar nem um tipo de salvamento sequer. Parece que naquele dia, bruxas e dragões, estavam todos de folga. Enquanto voltavam tristes, as duas se depararam com dois lavradores que seguiam por uma trilha. Neste momento, uma delas, dando um grito de alegria, disse para a outra.

- Tive uma idéia! Que tal darmos o poder a estes dois lavradores por quinze minutos para ver o que eles fariam?

A outra respondeu:

- Você ficou maluca? A fada mestra não vai gostar nada disto!

A primeira retrucou:

- Que nada, acho que ela até vai gostar! Vamos fazer isto e depois contaremos para ela.

E assim fizeram. Tocaram suas varinhas invisíveis na cabeça dos dois e se puseram a observá-los. Poucos passos adiante eles se separaram e seguiram por caminhos diferentes. Um deles, após alguns passos depois de terem se separado, viu um bando de pássaros voando em direção à sua lavoura, e passando a mão na testa suada disse:

- Por favor, meus passarinhos, não comam toda a minha plantação. Eu preciso que esta lavoura cresça e produza, pois é daí que tiro o meu sustento.

Naquele momento, ele viu espantado a lavoura crescer e ficar pronta para ser colhida em questão de segundos. Assustado, ele esfregou os olhos e pensou:

- Devo estar cansado - e acelerou o passo.

Aconteceu que, logo adiante, ele caiu ao tropeçar em um pequeno porco que havia fugido do chiqueiro. Mais uma vez, esfregando a testa, ele disse:

- Você fugiu de novo, meu porquinho! Mas a culpa é minha, eu ainda vou construir um chiqueiro decente para você.

Mais uma vez espantado, ele viu o chiqueiro se transformar num local limpo e acolhedor, todo azulejado, com água corrente e o porquinho já instalado no seu compartimento. Esfregou novamente os olhos e, apressando ainda mais o passo, disse mentalmente:

- Estou muito cansado! 


Neste momento ele chegou em casa e, ao abrir porta, a tranca que estava pendurada caiu sobre sua cabeça. Ele então tirou o chapéu e, esfregando a cabeça, disse:

- De novo, e o pior é que eu não aprendo. Também não tem me sobrado tempo. Mas ainda hei de ter dinheiro para construir uma grande casa e dar um pouco mais de conforto para minha mulher.

Naquele exato momento aconteceu o milagre. Aquela humilde casinha foi se transformando numa verdadeira mansão diante dos seus olhos. Assustadíssimo, e sem nada entender, convicto de que era tudo decorrente do cansaço, ele se jogou numa enorme poltrona que estava na sua frente e, em segundos, estava dormindo profundamente. Não houve tempo sequer para que ele tivesse algum sonho. Minutos depois ele foi despertado pelos gritos do amigo que dizia desesperado:

- Socorro, compadre! Me ajude! Eu estou perdido!

Ainda atordoado, sem entender muito o que estava acontecendo, ele se levantou correndo. Tinha na mente imagens muito fortes de algo que ele não entendia bem, mas parecia um sonho. Quando ele chegou na porta, encontrou o amigo em prantos. Ele se lembrava que poucos minutos antes eles se despediram no caminho e estava tudo bem. Então, perguntando o que havia se passado, ele ouviu a seguinte história:

- Compadre, nós nos despedimos no caminho e eu segui para minha casa; acontece que, poucos passos adiante, eu vi um bando de pássaros voando em direção à minha lavoura. Este fato me deixou revoltado e eu gritei:

- Vocês de novo, atacando a minha lavoura, tomara que seque tudo e vocês morram de fome! Naquele exato momento, eu vi a lavoura secar e todos os pássaros morrerem diante dos meus olhos! Pensei comigo, devo estar cansado, e apressei o passo. Andei um pouco mais e caí depois de tropeçar no meu porco que havia fugido do chiqueiro. Fiquei muito bravo e gritei mais uma vez:

- Você fugiu de novo? Por que não morre logo e para de me dar trabalho? Compadre, não é que o porco morreu ali mesmo, na minha frente? Acreditando estar vendo coisas, andei mais depressa e, ao entrar em casa, me caiu na cabeça a tranca da porta. Naquele momento, como eu já estava mesmo era com raiva, gritei novamente: - Esta casa... Caindo aos pedaços, por que não pega fogo logo e acaba com isto? Para surpresa minha, compadre, naquele exato momento a minha casa pegou fogo e tudo foi tão rápido que eu nada pude fazer! Mas... compadre, o que aconteceu com a sua casa? De onde veio esta mansão?

Depois de tudo observarem, as duas fadinhas foram correndo muito assustadas contar para a fada mestra o que havia se passado. Estavam muito apreensivas quanto ao tipo de reação que a fada mestra teria. Mas tiveram uma grande surpresa.

A fada mestra ouviu com muita atenção o relato, parabenizou as duas pela idéia brilhante que haviam tido, e resolveu decretar que a partir daquele momento, todo ser humano teria 15 minutos de poder ao longo da vida. Só que ninguém jamais saberia quando estes 15 minutos de poder estariam acontecendo.

Portanto, muito cuidado com a maneira com que você fala, age e pensa.

Desconheço autoria.

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Coisa de adolescente


Uma amiga minha, com dois filhos pra criar, me conta que está trocando e-mails com um cineasta charmoso, aquelas coisas que caem do céu de uma hora para outra. Ela me disse com todas as letras: "estou me sentindo uma adolescente!"

Numa novela, outro dia, o mesmo texto: mulher recém-separada, mais de 50 anos, declarando-se apaixonada feito ... feito o quê? Feito uma advogada, feito uma manicure, feito uma professora? Não, feito uma adolescente!

Nem eu escapo. Outro dia, recebi uma cantada de um guapo nada desprezível, e do alto dos meus 43 anos – 16 de casada -, me senti igualmente uma menina. Ora vejam, só por causa de uma cantada inocente que não levou a nada, só por causa da nostalgia que me provocou.

Qual é? Agimos como se apenas os adolescentes tivessem o direito de vibrar. Como se adrenalina correndo nas veias fosse um direito exclusivo deles. Como se homens e mulheres maduros não pudessem se divertir, não pudessem azarar sem compromisso, não pudessem se presentear com instantes de total curtição. Quem declarou que isso seria um desajuste? Nós mesmos, quem mais...

Entusiasmo não é coisa de adolescente: é coisa de gente grande. Vou além: é coisa de gente velha, inclusive. Coisa de adolescente é depender de ajuda financeira dos pais, passar a madrugada bebendo cerveja em posto de gasolina, andar sempre em turma. E até isto não é propriedade privada deles. Mas entusiasmo, vibração, paixonite? Que insistência burra esta nossa ao afirmar, cada vez que vivemos algo novo e excitante, que estamos em surto de adolescência. Isso sim é falta de maturidade. Os maduros de verdade sabem que estão sujeitos a vibrações em qualquer etapa da vida. Alguém está morto aí? Eu, não.

Sei que é difícil, mas vou tentar nunca mais dizer que um entusiasmo é "coisa de adolescente". É desrespeitoso com eles, que quase sempre amam com mais intensidade do que nós. E desrespeito conosco, porque nós, os que julgam que tudo viram e tudo sabem.

Martha Medeiros.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Em busca de sonhos


Saímos pelo mundo em busca de nossos sonhos e ideais. Muitas vezes colocamos nos lugares inacessíveis tudo aquilo que está ao alcance das mãos. Quando descobrimos o erro, sentimos que perdemos tempo buscando longe o que já tínhamos perto.

Nos culpamos pelos passos errados, pela procura inútil, pelo desgosto que causamos.

Não é bem assim: embora o tesouro esteja enterrado na sua casa, você só irá descobri-lo quando se afastar.

Existem certas coisas em nossas vidas que tem um selo dizendo:

“Você só irá entender meu valor quando me perder – e me recuperar”.

Não adianta querer encurtar este caminho…

Paulo Coelho.

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sábado, 15 de outubro de 2011

A canção dos homens

 
 
Quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, ela segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que aparece a “canção da criança”.
 
Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe canta a sua canção.
 
Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe canta a sua canção. Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta. Quando chega o momento do seu casamento a pessoa escuta a sua canção.

Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, da mesma forma como em seu nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na "viagem".

Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social muito grave, levam-no até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. E então lhe cantam a sua canção".

A tribo reconhece que a correção para uma conduta anti-social não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade.

Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém.
 
Teus amigos conhecem a "tua canção" e a cantam quando a esqueces.
 
Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes ou as escuras imagens que mostras aos demais.

Eles recordam tua beleza quando te sentes feio; tua totalidade quando estás quebrado; tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.
                                           
Tolba Phanem.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dizer o amor


Se você ama, diga que ama. Não tem essa de não precisar dizer porque o outro já sabe. Se sabe, maravilha, mas esse é um conhecimento que nunca está concluído. Pede inúmeras e ternas atualizações. 

Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente. Há amor para todo mundo. Há amor para quem quer se conectar com ele. 

Não perdemos quando damos: ganhamos junto. Quanto mais a gente faz o amor circular, mas amor a gente tem. Não é lorota. Basta sentir nas interações do dia-a-dia, esse nosso caderno de exercícios.

Se você ama, diga que ama. A gente pode sentir que é amado, mas sempre gosta de ouvir e ouvir e ouvir. É música de qualidade. Tão melodiosa, que muitas vezes, mesmo sem conseguir externar, sentimos uma vontade imensa de pedir: diz de novo? 

Dizer não dói, não arranca pedaço, requer poucas palavras e pode caber no intervalo entre uma inspiração e outra, sem brecha para se encontrar esconderijo na justificativa de falta de tempo. Sim, dizer, em alguns casos, pode exigir entendimentos prévios com o orgulho, com a bobagem do só-digo-se-o-outro-disser, com a coragem de dissolver uma camada e outra dessas defesas que a gente cria ao longo do caminho e quando percebe mais parecem uma muralha. Essas coisas que, no fim das contas, só servem para nos afastar da vida. De nós mesmos. Do amor.

Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. 

Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá.

Ana Jácomo.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Intimidade


Algumas pessoas se destacam para nós. Não há argumento capaz de nos fazer entender exatamente como isso acontece. Porquê dançam conosco com mais leveza nessa coreografia bela, e tantas vezes atrapalhada, dos encontros humanos. Muitas vezes tentamos explicar, em vão, a medida do nosso bem-querer. A doçura de que é feito o olhar que lhes dirigimos. O sentimento que nos move para ajudá-las a despertar um único sorriso.

Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é.

Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, o aperto é nosso também. Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor.

Ana Jácomo.

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Dia de faxina

 
Estava precisando fazer uma faxina em mim ...

Jogar alguns pensamentos indesejados para fora, lavar alguns tesouros que andavam meio enferrujados ...

Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais.

Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei; joguei fora a raiva e o rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que não li; olhei para meus sorrisos futuros e minhas alegrias pretendidas... E as coloquei num cantinho, bem arrumadas.

Fiquei sem paciência!

Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão: paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste ...

Vi também que lá também havia outras coisas ... e belas!

Um passarinho cantando na minha janela, aquela lua cor-de-prata, o por do sol! Fui me encantando e me distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças...

Sentei no chão, para poder fazer minhas escolhas.

Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou. Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima, pois quase não as uso, e também joguei fora no mesmo instante!

Outras coisas que ainda me magoam eu coloquei num canto, para depois ver o que farei com elas ... se as esqueço lá mesmo ou se mando para o lixão.

Aí fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo o que é mais importante: o amor, a alegria, os sorrisos, um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos ... ah, como foi bom relembrar tudo aquilo!

Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas e deixei-as à mostra para não perdê-las de vista.

Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurada bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de amar... e de recomeçar...

Desconheço a autoria.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Limites


Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores.

E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.

O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas", ousadas e poderosas do que nunca.

Parece que em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos.

Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.

Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos.

E o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais, e os primeiros que aceitamos que nossos filhos nos faltem com o respeito.

À medida que o permissível substitui o autoritarismo, os termos das relações familiares mudam de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam suas ordens e os tratavam com o devido respeito. E bom filhos, as crianças que eram formais e veneravam a seus pais.


Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo, hoje os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira, que respeitem as suas ideias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim.

Quer dizer, os papéis se inverteram e agora, são os pais quem têm que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "tudo dar" a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem. E se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenchem de medo e menosprezo ao nos verem tão débeis e perdidos como eles.

Os filhos precisam perceber que durante a infância estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.

Apenas uma atitude firme e respeitosa lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás os carregando e rendidos à sua vontade.

É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros, nem destino.

Os limites abrigam o indivíduo, com amor ilimitado e profundo respeito.

Mônica Monasterio



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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Todas as coisas tem dois lados

 
 
Suponha que lhe aconteça o que me aconteceu. Recebi da Espanha um chaveiro de metal. Já era importante por ser um presente. Percebendo o peso e a cor, concluí sem pestanejar: é de prata!

Feliz da vida, coloquei nele as chaves do meu carro e passei a desfrutar da pequena jóia. Além do lado liso e brilhante, o outro lado trazia um baixo relevo, que o tornava verdadeira obra de arte. O prazer com que passei a usá-lo está na origem do que vim a sentir, meses depois.

Certa manhã, fui pegar o chaveiro de prata na garagem do meu prédio. Sabe, a necessidade de manobras... E foi então que recebi um choque. Não havia sido roubado, não! Talvez tenha sido pior. A parte de trás estava inexplicavelmente descascada! O amarelo vivo do latão acusava uma decepção. O desapontamento tomou conta de mim. Fiquei paralisado por alguns momentos. Aí olhei o lado da frente. Estava em ordem. Tive, então, um estalo. Olhar o lado descascado me causava desprazer, mas eu podia olhar o da frente e continuar gostando dele. A escolha era minha. Eu era responsável por me sentir bem ou me sentir mal. Já que os dois lados eram reais, seria tão honesto preferir olhar mais um lado do que outro. Eu não estaria mentindo para mim mesmo, se preferisse olhar o lado bem conservado; e me tornaria responsável por me sentir bem.

Comecei a perceber, então, que todas as coisas na vida têm dois lados. Um lado sombrio, desagradável, penoso. E outro claro, luminoso, colorido. Podia assim escolher, para vantagem minha, o lado que me conservaria sempre no melhor astral.

Por exemplo, o fato de ter furado o pneu do carro, coisa desagradável, é o lado sombrio; mas, pensando bem, isso só acontece com quem tem carro! É o lado luminoso e colorido do mesmíssimo fato. Você pode se dar ao luxo de ter de trocar o pneu de seu carro de vez em quando, pois, em contrapartida, ele lhe dá prazer e lhe presta serviço no resto do tempo.

Outro exemplo. Uma chuva inesperada impede você e sua família de saírem para um piquenique, como haviam planejado. É o lado sombrio. Mas, em compensação, você poderá ter tempo em casa, finalmente, para arrumar aquela torneira pingando ou para assistir a um filme no seu vídeo. Pode ser o lado luminoso.

Ou, ainda, alguém sofre um pequeno acidente ou contrai uma febre, ficando obrigado a ficar de cama. É o lado sombrio. O lado luminoso - e quantas vezes acontecido! - pode ser a experiência de repensar a vida; ou a de, finalmente, se dar conta de quanto é estimado e visitado pelos parentes e amigos, apesar de ter tido dúvidas, até então.

Um último exemplo. Seu patrão lhe chama a atenção com frequência, seus colegas de trabalho costumam ser competitivos e pouco amigos. É o lado sombrio. Você não se vai acomodar, é claro. Vai tomar providências cabíveis para que a situação melhore. Mas, por outro lado, você tem emprego, o que não é para se minimizar. Quantos gostariam de ter um!

Você poderia objetar em primeiro lugar: mas esse não é o jogo da Polyanna? Não é o mesmo que mentir para si mesmo e fazer de conta, como quem esconde o sol com a peneira? Desde o início pode ter ficado claro que olhar qualquer dos lados é honesto e que você é responsável pelo lado que prefere fixar. Olhando o lado bonito da vida você não está escondendo nada, apenas está preferindo ser feliz. Qual é o mal?

Você ainda poderia dizer: mas isso é tão difícil! Será que alguém consegue pensar assim? Eu lhe garanto que é possível. Vamos concordar também que é difícil. Ora!

O que não é difícil, quando enfrentado pela primeira vez? Digitar numa máquina de escrever, dirigir um carro, aprender língua estrangeira, escrever corretamente o português, fazer tricô e qualquer outra coisa no mundo. Entretanto, seja o que for, você consegue dominar, com duas condições: ter a receita correta e treinar com perseverança.

Então, você também pode descobrir o lado colorido e mais real da sua vida. Nada o impede.

Desconheço autoria.

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NEOQEAV



Meus avós já estavam casados há mais de cinquenta anos, e continuavam jogando um jogo que haviam iniciado quando começaram a namorar.
 
A regra do jogo era que, um tinha que escrever a palavra “NEOQEAV” em um lugar inesperado, para o outro encontrar, e assim que a encontrasse, deveria escrevê-la em outro lugar, e assim sucessivamente.

Eles se revezavam deixando “NEOQEAV” escrita por toda a casa, e assim que um a encontrava, era sua vez de escondê-la em outro local, para o outro achar.

Eles escreviam “NEOQEAV” com os dedos no açúcar, dentro do açucareiro, ou no pote de farinha, para que o próximo que fosse cozinhar achasse. Escreviam na janela embaçada pelo sereno, que dava para o pátio onde minha avó nos dava pudim, que ela fazia com tanto carinho. “NEOQEAV” era escrita no vapor deixado no espelho, depois de um banho quente, onde a palavra iria reaparecer depois do próximo banho.

Uma vez, minha avó até desenrolou um rolo inteiro de papel higiênico para deixar “NEOQEAV” na última folha, e enrolou tudo de novo. Não havia limites para onde essa palavra pudesse surgir. Pedacinhos de papel com “NEOQEAV” rabiscado apareciam grudados no volante do carro que eles dividiam. Os bilhetes eram enfiados dentro dos sapatos e deixados debaixo dos travesseiros. “NEOQEAV” era escrita com os dedos na poeira sobre as prateleiras, e nas cinzas da lareira.

Esta misteriosa palavra tanto fazia parte da casa de meus avós, quanto da mobília. Levou bastante tempo para eu passar a entender completamente e gostar deste jogo que eles jogavam. Meu ceticismo nunca me deixou acreditar em um único e verdadeiro amor, que possa ser realmente puro e duradouro. Porém, eu nunca duvidei do amor entre meus avós. Este amor era profundo!

Era mais do que um jogo de diversão, era um modo de vida! Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada, igual as quais nem todo mundo tem a sorte de experimentar. O vovô e a vovó ficavam de mãos dadas sempre que podiam. Roubavam beijos um do outro, sempre que se batiam um contra outro, naquela cozinha tão pequena. Eles conseguiam terminar a frase incompleta do outro, e todo dia resolviam juntos as palavras cruzadas do jornal.

Minha avó cochichava para mim, dizendo o quanto meu avô era bonito, como ele havia se tornado um velho bonito e charmoso, e ela se gabava de dizer que sabia como pegar os namorados mais bonitos. Antes de cada refeição eles se reverenciavam, e davam graças a Deus, e bençãos aos presentes por sermos uma família maravilhosa, para continuarmos sempre unidos e com boa sorte.

Mas uma nuvem escura surgiu na vida de meus avós: minha avó tinha câncer de mama. A doença tinha primeiro aparecido dez anos antes. Como sempre, vovô estava com ela a cada momento. Ele a confortava no quarto amarelo deles, que ele havia pintado dessa cor para que ela ficasse sempre rodeada da luz do sol, mesmo quando ela não tivesse forças para sair.

O câncer agora estava, de novo, atacando seu corpo. Com a ajuda de uma bengala e a mão firme do meu avô, eles iam à igreja todas as manhãs. E minha avó foi ficando cada vez mais fraca, até que, finalmente, ela não mais podia sair de casa. Por algum tempo, meu avô resolveu ir à igreja sozinho, rezando a Deus para zelar por sua esposa. E, então, o que todos nós temíamos aconteceu: vovó partiu…

“NEOQEAV” foi gravada em amarelo, nas fitas cor-de-rosa dos buquês de flores, do funeral da vovó. Quando os amigos começaram a ir embora, minhas tias, tios, primos e outras pessoas da família se juntaram e ficaram ao redor da vovó pela última vez.

Vovô ficou bem junto do caixão da vovó e, num suspiro bem profundo, começou a cantar para ela. Através de suas lágrimas e pesar, a música surgiu como uma canção de ninar que vinha bem de dentro de seu ser. Sentindo-me muito triste, nunca vou me esquecer daquele momento. Porque eu sabia que mesmo sem ainda poder entender completamente a profundeza daquele amor, eu tinha tido o privilégio de testemunhar a beleza sem igual que aquilo representava…

Aposto que a esta altura você deve estar se perguntando:

“Mas o que NEOQEAV significa?”

Essa linda palavra quer dizer:

“Nunca Esqueça O Quanto Eu Amo Você!”

Desconheço autoria.

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sábado, 8 de outubro de 2011

Saga



Andei depressa para não rever meus passos
Por uma noite tão fugaz que eu nem senti
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora
Só me restam devaneios do que um dia eu vivi

Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir

Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu contei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu

E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho com força, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer

E era de gozo, uma mentira, uma bobagem
Senti meu peito, atingido, se inflamar
E fui gostando do sabor daquela coisa
Viciando em cada verso que o amor veio trovar

Mas, de repente, uma farpa meio intrusa
Veio cegar minha emoção de suspirar
Se eu soubesse que o amor é coisa assim
Não pegava, não bebia, não deixava embebedar

E agora andando, encharcado de estrelas
Eu cantei a noite inteira pro meu peito sossegar
Me fiz tão forte quanto o escuro do infinito
E tão frágil quanto o brilho da manhã que eu vi chegar

E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho sorrindo, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer

Filipe Catto.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A mariposa e a estrela



Conta a lenda que, certa tarde, uma jovem mariposa de corpo frágil e alma sensível voava ao sabor do vento quando viu uma estrela muito brilhante e acabou se apaixonando.

Voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor, ao que a mãe respondeu, friamente: "que bobagem! As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas. Procure um poste ou um abajur e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas".

Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta e pensava: que maravilha poder sonhar!

Na noite seguinte a estrela continuava no mesmo lugar, e a mariposa decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante e demonstrar seu amor. Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando à estrela. Então, armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu amor.

Esperava com ansiedade que a noite descesse e, quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.

Sua mãe ficava cada vez mais furiosa e pensava: "estou muito decepcionada com a minha filha. Todas as suas irmãs e primas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Você devia deixar de lado esses sonhos inúteis e arranjar um amor que possa atingir".

A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa. Mas, no fundo, como aliás sempre acontece, ficou marcada pelas palavras da mãe e achou que ela tinha razão.

Por algum tempo tentou esquecer a estrela, mas seu coração não conseguia esquece-la e, depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.

Noite após noite tentava voar o mais alto possível, mas quando a manhã chegava, ela estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza. Entretanto, à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção a tudo que via à sua volta.

Lá do alto podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas e irmãs já tinham encontrado um amor, mas, ao ver as montanhas, os oceanos e as nuvens que mudavam de forma a cada minuto, a mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.

Muito tempo depois resolveu voltar para casa e aí soube, pelos vizinhos, que sua mãe, suas irmãs e primas tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas pelo amor que julgavam fácil.

A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo que, às vezes, os amores difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles amores fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.

O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos.

Desconheço autoria.


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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Resista



Resista um pouco mais, mesmo que as feridas latejem e que sua coragem esteja cochilando. 

Resista mais um minuto e será fácil resistir aos demais.

Resista mais um instante, mesmo que a derrota seja um ímã, mesmo que a desilusão caminhe em sua direção. 


Resista mais um pouco, mesmo que os invejosos digam para você parar, mesmo que sua esperança esteja no fim.

Resista mais um momento, mesmo que você não possa avistar ainda a linha de chegada, mesmo que as inseguranças brinquem de roda à sua volta.

Resista um pouco mais, mesmo que a sua vida esteja sendo pesada como a consciência dos insensatos e você se sinta indefeso como um pássaro de asas quebradas.

Resista, porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço e essa manhã bonita, ensolarada, sem algemas, nascerá para você em breve, desde que você resista.

Resista, porque estamos sentados na arquibancada do tempo, torcendo ansiosos para que você vença e ganhe de Deus o troféu que você merece: a felicidade!

Desconheço autoria.

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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Precisamos um do outro


Havia uma garotinha que gostava de passear pelos jardins. Um dia ela viu uma borboleta espetada em um espinho. Muito cuidadosamente ela a soltou e a borboleta começou a voar para longe. De repente ela voltou até a garota e lhe disse:

- Por sua bondade, vou conceder-lhe seu maior desejo!

A garotinha pensou por um momento e respondeu:

- Quero ser feliz.

A borboleta voou até ela e sussurrou algo em seu ouvido, desaparecendo subitamente.

A garota crescia e ninguém na terra era mais feliz do que ela. Sempre que alguém lhe perguntava sobre o segredo de sua felicidade, ela somente sorria e respondia:

- Soltei a borboleta e ela me fez ser feliz.

Quando ela ficou bem velha, os vizinhos temeram que o seu fabuloso segredo pudesse morrer com ela.

- Diga-nos, por favor - eles imploravam - diga-nos o que a fada lhe disse!

A agora amável velhinha simplesmente sorriu e respondeu:

- Ela me disse que todas as pessoas, por mais seguras que pudessem parecer, precisavam de mim!

Na verdade, nós todos precisamos uns dos outros; eu, por exemplo, preciso de você, do seu carinho e da sua amizade!

E não se esqueça:

Amizade é sempre querer a pessoa que ama ao seu lado. Amizade não é ocasional, interessada ou pretensiosa. Amizade é para ser constante e para sempre, como o amor de Deus é para nós. Quando você ajuda alguém, por mais pequeno que seja, você está liberando felicidade para sua vida. Felicidade implica em ajudar o próximo, se doar.

Se você ainda só quer receber, a tal felicidade nunca lhe baterá a porta!

Desconheço o autor.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A águia e o pardal


O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia.

Seu vôo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração. Sentia vontade de voar como a águia, mas não sabia como fazer. Sentia vontade de ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza.

Um dia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiu da sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido.

Foi quando levou um enorme susto: deparou com uma forma muito repentina com a grande águia à sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro. Caiu desnorteado no chão, e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o.

Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia, em sua quietude, apenas o olhava calma e mansamente e com uma expressão séria perguntou-lhe:

- Por que estás a me vigiar, Andala?

- Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.

- E como te sentes, amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas?

- Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho...

O pardal suspirou, olhando para o chão, e continuou:

- Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te.

- E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan.

- Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas... Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente...

- Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia. Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos. Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita!

E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente:

- Andala, apenas mais uma coisa: não poderás voar como uma águia se não treinares incansavelmente todos os dias. O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho.

Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade em teu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas, serás livre!

Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles.

Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com tua escolha!  

Desconheço autoria.

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domingo, 2 de outubro de 2011

Tarde demais



A beleza e a tristeza da vida podem estar em situações como esta: descobrir, tarde demais, que se ama uma pessoa.

Pode acontecer até com quem está ao nosso lado neste instante.

Parece que é um amor morno e sem graça, e que se acabar, tanto faz, e só daqui a muitos anos descobrir que nada era mais forte e raro do que este sentimento.

Tarde demais é uma expressão cruel.

Tarde demais é uma hora morta.

Tarde demais é longe à beça.

Não é lá que devemos deixar florescer nossas descobertas.

Martha Medeiros

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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