domingo, 31 de julho de 2011

Paciência

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"Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar."
 
Helen Keller






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sábado, 30 de julho de 2011

Linguagem


A parte mais importante e mais sábia da linguagem que o mundo fala, e que todas as pessoas da Terra são capazes de entender em seus corações, é o Amor, uma coisa mais antiga que os homens e que, no entanto, ressurge sempre com a mesma força onde quer que duas pessoas, dois pares de olhos se cruzem.

Aí está a pura linguagem do mundo, sem explicações, porque o Universo não precisa de explicações para continuar seu caminho no espaço sem fim.

Quando se mergulha na linguagem Universal é fácil entender que sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra, seja no meio de um deserto, seja no meio das grandes cidades. E quando estas pessoas se cruzam, todo o passado e todo o futuro perde qualquer importância, e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma Mão.

A Mão que desperta o Amor e que faz uma alma gêmea para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros. Porque sem isto não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana!

Paulo Coelho.
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fila indiana


Os homens caminham pela face da Terra em fila indiana. Cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.

Na sacola da frente nós colocamos as nossas qualidades. Na sacola de trás guardamos os nossos defeitos.

Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos presas em nosso peito. Ao mesmo tempo reparamos, impiedosamente, nas costas do companheiro que está adiante em todos os defeitos que ele possui.

E aí nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

Mude ... ainda dá tempo!

Desconheço a autoria.
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Gratidão




O homem por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine. Os olhos da cor do céu brilharam quando viu um determinado objeto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesa azul.

- "É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?" - pediu ela.

O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:

- "Quanto dinheiro você tem?"

Sem hesitar ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e, feliz, perguntou:

- "Isso dá?"

Eram apenas algumas moedas que ela exibia, orgulhosa.

- "Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ficará feliz com o colar que é da cor de seus olhos."

O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.

- "Tome!" - disse para a garota - "Leve com cuidado."

Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.

Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis adentrou a loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:

- "Este colar foi comprado aqui?"

- "Sim, senhora."

- "E quanto custou?"

- "Ah!" - falou o dono da loja - "O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente."

A moça continuou:

- "Mas minha irmã tinha somente algumas moedas! O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!"

O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.

- "Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. Ela deu tudo o que tinha."

O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem enquanto suas mãos tomavam o pequeno embrulho.

A verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura.

Seja sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém. Gratidão com amor não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece.

Desconheço o autor.
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terça-feira, 26 de julho de 2011

Acredito


Acredito nos olhos de quem está apenas observando, aprendendo, sem julgamento.

Acredito que existe um lugar para mim, assim como existe lugar para todo mundo. Porque existe lugar para todo mundo. É só procurar...

Eu acredito. Acredito no tempo. O tempo é nosso amigo, nosso aliado, não o inimigo que traz as rugas e a morte.

O tempo é que mostra o que realmente valeu a pena, o tempo nos ensina a esperar, o tempo apaga o efêmero e acaba com a dúvida.

Caio Fernando Abreu.

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Viver de verdade



Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.

Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas, mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. 

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

Lya Luft.
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domingo, 24 de julho de 2011

Harry Potter: A Saga



Quando o primeiro livro da série Harry Potter foi lançado, meus filhos tinham a idade dos personagens da história. A mais velha, na época com 12 anos, já gostava de ler e, de tanto comentarmos os detalhes da história à mesa de jantar, o mais novo se animou e começou a se apaixonar pela leitura.

Este ano a saga chegou ao fim com o filme Harry Potter e as Relíquias da Morte II. Fomos ao cinema com um misto de expectativa e "luto" pois, a cada lançamento, ficávamos conjecturando como seria o próximo e sabíamos que esta seria a última vez.

O filme foi além das expectativas, todos os aspectos bem cuidados, fotografia, efeitos especiais, elenco. A história foi bem amarrada para não deixar pontos inexplicados.

Minha sensação, quando o filme terminou e subiram os créditos, foi de saudades antecipadas de um amigo querido e um gostinho de quero mais. O filme foi o último, mas com certeza não foi o fim. Assim como os contos de fadas, Harry Potter ainda fará parte do imaginário de muitas gerações.

No vídeo abaixo uma retrospectiva da saga que encantou o mundo.

Claudia Mei.





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sábado, 23 de julho de 2011

Simples assim


Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem, que lhe parecem verdadeiras.

E desfaça os nós que lhe prendem àquelas que foram significativas na sua vida, mas infelizmente, por vontade própria, deixaram de ser…

Nó aperta, laço enfeita.

Simples assim.

Silvana Duboc

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Olhares


É preciso ter olhos frescos para sermos capazes de admirar belezas aparentemente antigas. A beleza envelhece quando o olhar da gente perde o viço.

Toda beleza é capaz de vestir roupa nova porque outro também é o nosso olhar.

Não ignoro o sofrimento, não banalizo as dores que a gente sente, que não são poucas. Como a maioria de nós, num único dia, visito territórios dos mais diversos sentimentos e às vezes é bem difícil experimentar alguns deles.

Mas eu acho que, à parte os embaraços do caminho, quando a gente se fecha para a beleza do mundo, a vida fica insípida.

Quero continuar a ter esse olhar capaz de se encantar com coisas que vê mesmo quando, particularmente, a minha história se torna difícil de ser lida.

Por elas largo as sacolas do supermercado no chão para, por alguns instantes, ser apenas aquela que as contempla. Os problemas continuam, mas o coração ganha um doce que muitas vezes nos ajuda a temperar os amargos.

Ana Jácomo

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ser feliz


Felicidade não tem peso, nem tem medida, não pode ser comprada, não se empresta, não se toma emprestada, não resiste a cálculos, porque não é  material, nos padrões materiais do nosso mundo. Só pode ser legítima. Felicidade falsa não é felicidade, é ilusão.

Mas se eu soubesse fazer contas na medida do bem, diria que a felicidade pode ter tamanho, pode ser grande, pequena, cabendo nas conchas da mão, ou ser do tamanhão do mundo.

Felicidade é sabedoria, esperança, vontade de ir, vontade de ficar, presente, passado, futuro. Felicidade é confiança, fé e crença, trabalho e ação.

Não se pode ter pressa de ser feliz  porque a felicidade vem devagarinho, como quem não quer nada.

Ser feliz não depende de dinheiro, não depende de saúde, nem de poder. Felicidade não é fruto da ostentação, nem do luxo.

Felicidade é desprendimento, não é ambição. Só é feliz quem sabe suportar, perder, sofrer e perdoar.

Só é feliz quem sabe, sobretudo, amar.

Wanderlino Arruda

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Passarinho engaiolado


Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida o mínimo que se poderia dizer é que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita com arames de ferro ou de deveres.

Os sonhos aparecem, mas logo morrem, por não haver espaços para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na alma, que cada um enche como pode. Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola.

Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Alçapões são assim: têm sempre uma coisa apetitosa dentro. Do alçapão para a gaiola o caminho foi curto, através da Ponte dos Suspiros.

Há aquele famoso poema do Guerra Junqueiro, sobre o melro, o pássaro das risadas de cristal. 


O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e prendera seus filhotes na gaiola. A mãe, desesperada com o destino dos filhos e incapaz de abrir a portinha de ferro, traz no bico um galho de veneno. Meus filhos, a existência é boa só quando é livre. A liberdade é a lei. Prende-se a asa, mas a alma voa... Ó filhos, voemos pelo azul...! Comei...!

É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta, pois o que ela disse ao filho foi: Finalmente minhas orações foram respondidas. Você está seguro pelo resto de sua vida. Nada há a temer. Não é preciso se preocupar. Acostume-se. Cante bonito. Agora posso morrer em paz.

Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos. Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores com seus mágicos bater de asas; os urubus nos seus vôos tranquilos da fundura do céu; as rolinhas arrulhando, fazendo amor. As pombas voando como flexas.

Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranquilizavam. Ele queria ser como os outros pássaros, livres. Ah! Se aquela maldita porta se abrisse...

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta? Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair.

Agachou-se no galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais adiante. Teve vontade de ir até la. Perguntou-se se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia. Agarrou-se mais firmemente ainda.

Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.

- "Ei, você!" Era uma passarinha. - "Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá..."

Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas. A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome.

Chegou o fim da tarde e, com ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde sua gaiola ficava dependurada. Teve saudades dele.

Teria de dormir num galho de árvore, sem proteção. Gatos sobem em árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginaria que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudade da gaiola. Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta.

Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta, disse: 


- "Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar."

Rubem Alves

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terça-feira, 19 de julho de 2011

O templo real



O divino é provocado pelo amor. E nessa luz do amor, tudo é transformado. É alquímico, mágico.

Dê um pouco disso para si próprio. Esse é todo meu empenho. Quando eu digo que a vida é divina, estou querendo dizer: não a veja nos templos ou nas mesquitas ou nas igrejas. Lá você irá encontrar o deus dos filósofos, dos teólogos, que é uma divindade falsa, uma moeda falsa, uma falsificação.

Olhe para as árvores, para as flores, para as estrelas, a humanidade, os animais, os pássaros. Para onde quer que exista vida, olhe profundamente para lá. Provoque o divino lá. Seja devoto lá. Seja devoto perante uma árvore. Seja devoto perante um animal. Seja devoto perante as estrelas. Provoque a divindade lá.

Esse é o templo real.

Osho

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domingo, 17 de julho de 2011

Entre príncipes e sapos

 
 
Você certamente preferiria encontrar um príncipe a um sapo, não é? Claro, dentre os conceitos que definem um homem, o de príncipe é bem mais atraente e interessante do que o de sapo. O primeiro refere-se àquele gentil, carinhoso e romântico, enquanto que o segundo aponta para aquele esquisito, desatento e, por vezes, até irritante!

No entanto, como todo conceito fechado, este também merece uma reflexão, e o quanto antes, para evitarmos mais buscas ilusórias, expectativas frustradas e, por fim, desencontros desastrosos! Será mesmo que existem os homens que são príncipes e os que são sapos? Se sim, nesta mesma medida, deve haver então as mulheres que são princesas e as que são “pererecas”, certo? Não! Errado! Nem uma coisa, nem outra!

Podemos começar a desconstruir esse raciocínio admitindo que todos nós, tanto homens quanto mulheres, somos príncipes e princesas, mas também sapos e pererecas! Afinal, em alguns dias, estamos bem-humorados, divertidos, leves, atraentes e encantadores. Enquanto que, em outros, estamos tensos, tristes, impacientes e até repelentes.

Isto é ser gente. Existir em todas as possibilidades e nuances. Transitar entre a luz e a sombra e descobrir, neste caminho, a possibilidade de amadurecer e se tornar melhor. E tudo isso acontece inclusive enquanto nos relacionamos; enquanto buscamos um amor ou durante a vivência dele. E tudo bem... Não há nada de errado em se permitir ser tudo isso. O problema começa quando a permissão só é dada a si mesmo e não ao outro.

Pessoas que desejam encontrar e se relacionar somente com príncipes ou com princesas, que não conseguem acolher o sapo e a perereca que existe em cada homem e em cada mulher, certamente vai se decepcionar e amargar, repetidas vezes, aquela sensação de que sempre escolhe a pessoa errada. Será? Será mesmo que existem pessoas erradas e pessoas certas? Ou seria mais inteligente se encarássemos a todos com quem nos relacionamos como uma imperdível e exclusiva oportunidade de aprender algo novo?

Além disso, esta reflexão também pode ser um desafiante convite para que você exercite mais a sua porção príncipe ou princesa, exatamente como sabe fazer – e muito bem – toda vez que deseja conquistar alguém. Gentileza, carinho, atenção, paciência, saber ouvir, ceder, presentear, mimar, entre outras pequenas atitudes cativantes são sempre muito bem-vindas e fazem toda a diferença no seu dia-a-dia e no seu relacionamento, embora não eliminem definitivamente a sua porção sapo ou perereca!

No final das contas, o grande desafio do amor, para todos nós, é tentarmos, todos os dias, encontrar o equilíbrio na relação. Se seu par acordou sapo, calibre o ambiente com sua parte princesa e vice-versa. E lembre-se de que, como numa equação matemática, o mais importante é que, ao passar a régua, o saldo seja sempre positivo. E isso quer dizer que se você tem se relacionado mais como sapo ou perereca do que como príncipe ou princesa, algo precisa ser feito, urgentemente! Caso contrário, como se diz popularmente, a fila anda... porque o reinado precisa funcionar!

Rosana Braga

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Acima das desilusões



Na vida todos nós enfrentamos desilusões. Nos decepcionamos com amigos, parentes, e até conosco mesmo. Nos desiludimos quando vemos um sonho se transformar em pesadelo, um alvo se transformar numa miragem bem distante, um desejo desaparecer como uma neblina.

A desilusão dói como um ferimento. Atinge a qualquer um, sem exceção. Mas o importante é saber que novos sonhos podem ser sonhados, e que um novo dia certamente amanhecerá.

Fomos criados por Deus com a incrível capacidade de nos recuperarmos. Fomos feitos com a capacidade de sair das cinzas para a glória, do nada para o tudo, da derrota para a vitória. Como a águia, temos dentro de nós o desejo de voar grandes alturas, portanto também acima das desilusões.

Cada desilusão é um convite a um novo sonho, a uma nova visão da vida. É um convite a um novo desafio, a um novo caminho!

Pr. Edilson Ramos


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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Momentos


Tem um momento de vida que o mais importante é a coerência, inclusive com nossas próprias contradições. Um tempo em que tudo e todos que a gente ama, ama-se pra sempre, às vezes de outras formas e outros jeitos, mas segue-se amando.

Um tempo em que a gente não se envergonha mais das escolhas, mesmo que elas tenham mudado, mesmo que elas não sejam as recomendáveis, louváveis e de aprovação coletiva necessária (e às vezes exatamente por isso mesmo) em que tudo vira patrimônio indispensável daquilo que somos, da nossa humanidade, sempre construída em luz e sombra, daquilo que sonhamos e daquilo que ainda vamos ser.

Tem lá um momento de vida em que a gente dá menos importância ao mundo e mais importância ao que queremos de verdade, seja um bife enrolado com toicinho (notaram que algum pudor colesterolêmico baniu os bifes enrolados com toucinho da face da terra?) ou uma transgressão atordoante das normas de moral & bons costumes.

Tem uma hora que só mesmo o que importa é aquilo que nos faz feliz, bom ou mau, adequado às normas sociais vigentes ou não, mas totalmente coerente com a vida que escolhemos viver, com as pessoas que amamos e nos amam da maneira que podem. Tem um momento de vida que a gente escolhe a si mesmo. É pra lá que eu tô indo. ‘Bora?

Ticcia.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Adoro voar


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes…

Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: 

- E daí? Eu adoro voar!

Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.

Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.

Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente.

Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre.

Clarice Lispector

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terça-feira, 12 de julho de 2011

O caminho da vida



O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e  tem-nos feito marchar a passos de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A  máquina, que produz abundância, tem nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e  cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência,  precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo  será perdido.

Charles Chaplin.

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Recomeçar



Não é preciso agendar, entrar em fila, contar com a sorte, acordar cedo para pegar senha: a possibilidade de recomeço está disponível o tempo todo, na maior parte dos casos.

Não tem mistério, ela vem embrulhada com o papel bonito de cada instante novo, essa página em branco que olha pra gente sem ter a mínima ideia do que escolheremos escrever nas suas linhas.

O que é preciso mesmo é coragem para abrir o presente.

Ana Jácomo.
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Reinventar-se



Mudanças produzem ansiedade. 

Tentar sair do emprego em que me pagam mal ou estou infeliz; enfrentar pai ou mãe opressivos; romper um relacionamento amoroso que me diminuiu esmaga; evitar um convívio em que um se anula para que o outro tripudie, num processo de servidão que gera ressentimento e culpa. 

Sair do estabelecido e habitual, mesmo ruim, é sempre perturbador. O desejo de ser mais livre é forte, o medo de sair da situação conhecida, por pior que ela seja, pode ser maior ainda. 

Para nos organizarmos precisamos desmontar, refazer esse enigma nosso e descobrir qual é, afinal, o projeto de cada um de nós.
 
Lya Luft.

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domingo, 10 de julho de 2011

Decisões



A maioria das pessoas tomam decisões superficiais. Elas apenas anunciam suas decisões , não mudam as atitudes. Não dizem adeus ao passado, não abandonam velhos hábitos.

Assim, com a mesma rapidez que decidem algo, desistem. É preciso ter decisões consistentes, que resultem em atitudes. Somente uma mudança de atitude após uma decisão cria verdadeiras mudanças na vida de uma pessoa."

Roberto Shinyashiki.

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sábado, 9 de julho de 2011

Desapego



Os apegos são os anexos. Quanto mais anexos em um e-mail, mais peso. Os anexos surgem com a palavra meu.

Tornar-se desapegado é considerar que nada disso me pertence. Acabar com a consciência de meu é acabar com todas as escravidões. Considere-se apenas um tutor de tudo que lhe é dado em confiança.

Para ficar livre de situações indesejáveis e pensamentos negativos preciso desenvolver desapego. Desapego não é indiferença, apatia ou falta de energia.
Desapego é um estado que vem da força e da paz interior.

Posso ser amoroso, feliz, cooperativo e ainda ter desapego.

O verdadeiro desapego interior é a habilidade de pensar com clareza e estar imune ao que as pessoas pensam e falam sobre mim. Desapego me capacita a ter mais controle sobre o humor e o estado da minha mente. Também me ajuda a ser mais eficiente no trabalho e diante das situações difíceis ou emergenciais.

Para ser desapegado preciso conhecer meus pensamentos e seus resultados. Desapego co-existe com autocontrole, autodisciplina, e uma mente focada. Desapego traz tal tranqüilidade que circunstâncias externas não conseguem mais me perturbar.

Nem tudo acontece conforme o planejado. Planos às vezes não funcionam. Pessoas não agem como o esperado. Tudo isso pode afetar meu espírito e enfraquecer minha motivação e fé. Mas um estado emocional e mental desapegado me previne disso.

A pessoa que tem desapego não fica afetada diante dos obstáculos. Ela continuará tentando a superação sempre. Amar sem possuir, envolver-se sem depender.

O desapego abandona os rótulos e respeita a sinfonia das personalidades ao redor.
Elas revelam as riquezas da vida, desimpedidas dos nossos próprios desejos.

Desapego é como o sol que ilumina mas não domina as qualidades de cada um. À distância ele tenta libertar os conflitos da diversidade, mas permanece livre do efeito do resultado.

Brahma Kumaris 

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Minha criança



Peço licença para falar na minha criança, a que mora aqui dentro e não me abandonará jamais. Talvez com a morte eu até regresse a ela. Os quase setenta anos que dela me separam não a removem. Ela ali está, magra e tímida, a me olhar e ditar comportamentos e reações.

Minha criança esteve em todos os meus filhos e aparece nos meus sete netos. Ela se refaz da morte da irmã e abre os olhos para o mundo, com a certeza de que veio ao mundo para alguma missão, embora sempre se considere inferior ao tamanho da mesma.

Minha criança sente enorme saudade do pai e da mãe com quem o adulto já não conta, salvo no exemplo, na saudade e nas orações quando me domina uma fugidia sensação de estarem, incorpóreos, a meu lado, mas sem se manifestarem.

Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito. Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis num homem com minha carga de vivências. 


Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu tais a entrega e a total confiança no mistério e na proteção de Deus.

Minha criança carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se lhe impõe alguma expectativa de enfermidade. Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda. 

Eu a amo, preservo, e dou boas gargalhadas quando a vejo infiltrar-se nas graves decisões de algumas de minhas responsabilidades adultas. Ninguém a vê, salvo eu. Ninguém a acaricia, salvo eu, que a estimo, procuro e admiro mais a cada dia e com quem converso histórias infinitas, que somente a imaginação pode conceber no universo maravilhoso da fabulação interior e solitária.

Diariamente passeio com minha criança e estou muito feliz por cumprimentá-la, levar-lhe balas, nuvens, aquele cão da meninice, as canções de minha mãe e os carinhos de meu pai; levar-lhe os presentes que ganhava de meu padrinho e toda a enorme vontade de ser que então adivinhava para a minha vida. Vida que chegou, ameaça passar, e da qual não me arrependo.

Minha criança adivinhou em seus sonhos o adulto que eu queria ser. E traz alegria e esperanças à minha idade atual. Hoje sou, há muito tempo, o adulto que sonhei ser. Talvez com menos tensões, mas igualzinho em meu modo de amar a vida.

Artur da Távola.

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Volver a los 17




Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán, na província de Tucumán, no noroeste da Argentina em 9 de julho de 1935 e faleceu em Buenos Aires em 4 de outubro de 2009.


Na década de 1960, Mercedes participou do Movimento do Novo Cancioneiro, surgido em Mendoza e centrado na música popular latino-americana, com ênfase no componente social. Além de obter sucesso na Argentina, a artista ganhou palcos pelas Américas e também na Europa.


A temática social e a ligação com a esquerda lhe renderam também dissabores. Em 1979, um show da artista foi invadido pelos militares, durante a ditadura argentina (1976-83). Não apenas ela foi presa, mas inclusive o público presente.


Naquele mesmo ano, Mercedes decidiu se exilar. "La Negra", como também era conhecida devido à ascendência ameríndia (no exterior acreditava-se erroneamente que era devido a seus longos cabelos negros), ficou conhecida como a voz dos "sem voz", voltou à Argentina em 1982, na fase final da ditadura.


Sua preocupação sociopolítica refletia-se no repertório que interpretava, tendo sido uma das grandes expoentes da Nueva Canción, movimento musical com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas, marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, ao consumismo e às desigualdades sociais.


No vídeo abaixo uma belissima parceria com Milton Nascimento na linda canção de Violeta Parra.

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terça-feira, 5 de julho de 2011

O amor nos tira o sono


O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade.

E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância.

Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir  porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes.

A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura. Às vezes é preciso recolher-se.

Lya Luft

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Relógio do coração


Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente. Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.

Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.

Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.

Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na Terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.

Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.

Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.

Há eventos que marcaram, e que duram para sempre: o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado. Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.

Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes e, na maioria das vezes, o tempo transcorrido foi o mesmo.

Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.

O relógio do coração – hoje eu descubro - bate noutra frequência daquele que carrego no pulso. Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.

Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.

É olhar as rugas e não perceber a maturidade. É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.

Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: ele te mostrará o verdadeiro tempo do mundo.

Alexandre Pelegi.

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domingo, 3 de julho de 2011

O desejo do amor


O amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.

Se, contudo, amar é precisar ter desejos, sejam estes os vossos desejos:

De se diluir no amor e ser como um riacho que canta a sua melodia para a noite;

De conhecer a dor de sentir ternura demais;

De se ferir por vossa própria compreensão do amor;

De sangrar de bom grado e com alegria;

De despertar na aurora com o coração alado e agradecer por um novo dia de amor;

De descansar ao meio-dia e meditar sobre o êxtase do amor;

De tornar à casa de noite com gratidão e de adormecer com uma prece no coração para o ser bem amado, e nos lábios uma canção de bem aventurança.

Gibran Khalil

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Claudia Mei
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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