segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A menina de vestido azul


Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Acontece que essa menina freqüentava as aulas da escolinha local, num estado lamentável. Suas roupas eram tão velhas que seu professor resolveu dar-lhe um vestido novo. Assim raciocinou o mestre: "É uma pena que uma aluna tão encantadora venha às aulas desarrumada desse jeito. Talvez, com algum sacrifício, eu pudesse comprar para ela um vestido azul".

Quando a garota ganhou a roupa nova, sua mãe não achou razoável que, com aquele traje tão bonito, a filha continuasse a ir ao colégio suja como sempre, e começou a dar-lhe banho todos os dias, antes das aulas.

Ao fim de uma semana, disse o pai: "Mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more num lugar como este? Que tal você ajeitar a casa, enquanto eu, nas horas vagas, vou dando uma pintura nas paredes, consertando a cerca, plantando um jardim?"

E assim fez o humilde casal. Sua casa ficou mais bonita que todas as outras da rua, e os vizinhos, inspirados naquela casa, se puseram a arrumar as suas próprias moradias. Desse modo, todo o bairro melhorou consideravelmente.

Por ali passava um político que, bem impressionado, disse: "É lamentável que gente tão esforçada não receba nenhuma ajuda do governo". E, dali, saiu para  falar com o prefeito, que o autorizou a organizar uma comissão para estudar que melhoramentos eram necessários ao bairro. Dessa primeira comissão surgiram muitas e muitas outras e hoje, por todo o país, elas ajudaram os bairros pobres a crescerem e melhorarem.

E pensar que tudo começou com um vestido azul. Não era intenção daquele simples professor consertar toda a rua, o bairro, nem criar um organismo que socorresse os bairros abandonados de todo o país. Mas ele fez o que podia, ele deu a sua parte, ele fez o primeiro movimento do qual se desencadeou toda aquela transformação.

Gardel Costa

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Me faz bem


Para falar, eu canto
Quero que saiba o quanto

Me faz bem
Me faz bem
Me faz bem

É sempre assim, perfeito
Você de qualquer jeito

Me faz bem
Me faz bem
Me faz bem


Basta ver
O reflexo dos seus olhos
Bem nos meus
Com esse calor que deu para entender

Que o coração não mente
Que afortunadamente

Me faz bem
Me faz bem
Me faz bem

Luiza Possi





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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quanto vale um bem - querer


Um bem-querer tem alto valor, um valor que não tem preço.

Bem-querer é transformar dias sombrios em tempos claros, risonhos... É adquirir uma passagem de ida, de volta e retorno ao país dos sonhos...

Tristeza? Ora, a tristeza... ela faz parte também. Se não houvesse a tristeza, não conheceríamos a felicidade, a beleza...

Se não experimentássemos o frio, não saberíamos apreciar o calor do dia-a-dia. Bem-querer é querer bem não apenas na alegria.

Nos momentos de arrufos, ficar de bem  trazendo uma flor com charme, jeito e sedução. Ficar de mal, ficar de bem, explodir de emoção, arrancar devagarinho as pétalas do bem-me-quer e finalizar com o bem-querer na mão, na alma e no coração.

Bem-querer é querer e querer bem! É deixar o coração saltitar em cambalhotas, compensando as agruras, preenchendo as fissuras que a gente no peito tem...

Oriza Martins

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Abelha


Ide, pois, aos vossos campos e pomares, e lá aprendereis que o prazer da abelha é de sugar o mel da flor, mas que o prazer da flor é de entregar o mel à abelha.

Pois, para a abelha, uma flor é uma fonte de vida. E para a flor, uma abelha é mensageira do amor.

E para ambas, a abelha e a flor, dar e receber o prazer é uma necessidade e um êxtase.

Khalil Gibran

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Amor ou amizade? Os dois...


No finalzinho da entrevista que Pedro Bial deu à Marília Gabriela, quando foi questionado sobre relacionamentos, ele deu uma lição que serve para todo mundo: trate seu amor como você trata seu melhor amigo. Sei que isso parece falta de romantismo, mas é o conselho mais certeiro.

Não era você que estava a fim de uma relação serena e plenamente satisfatória? Taí o caminho. Vamos tentar elucidar como isso se dá na prática. Comecemos pelo exemplo que o próprio Bial deu: você foi convidado para o casamento de uma prima distante que mora onde Judas perdeu as botas, você tem que ir porque ela chamou você pra padrinho. Como é que os casais costumam combinar isso?

"Não tem como escapar, você vai comigo e pronto". Ou seja, um põe o outro no programa de índio e nem quer saber de conversa. É assim que você convidaria seu melhor amigo? Não. Você diria: "Putz, tenho uma roubada pela frente que você não imagina. Me dá uma força, vem comigo, ao menos a gente dá umas risadas...".

Ficou bem mais simpático, não ficou? Como esta, tem milhões de situações chatas que você pode aliviar, apenas moderando o tom das palavras.

Pro seu marido: "Você nunca repara em mim, não deu pra notar que cortei o cabelo? Será que sou invisível?" Mas pra sua melhor amiga: "Ai, pelo visto meu cabelo ficou medonho e você está me poupando, né? Pode dizer a verdade, eu aguento".

Pra sua mulher: "Você já se deu conta da podridão que está este sofá? Não dá pra ver que está na hora de trocar o tecido?" Mas pra sua melhor amiga: "Deixa a pizza por minha conta, eu pago, assim você economiza pra lavar o sofá. A não ser que este seja um novo estilo de decoração..."


Maneire. Trate seu amor como todas as pessoas que você adora e que não são seus parentes. Trate com o mesmo humor que você trata seu melhor amigo, sua melhor amiga. Até porque, caso você não tenha percebido, é exatamente isso que eles são.

Martha Medeiros 

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sensibilidade



Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia.

Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade.

Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta.

Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada.

Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza.

Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada.

Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.

Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia.

Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe.

Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria.

Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza.

Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.

Ana Jácomo

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Frio


Frio

Monique Kessous
Composição: Monique Kessous

Cada vez que eu penso em te ver
Vejo que não dá pra esquecer
Todo tempo que já passou
Tanta coisa ainda ficou
Como pode ser triste assim
Se eu te amo e sei que não tem razão
Eu ainda quero ser seu
Não me importa se eu sentir frio
Se eu sentir frio
Eu fico acordado
Fico ao seu lado até não ter vento
Folhas jogadas
Minhas pegadas
Vão caminhando até você.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

É preciso reviver


É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas  estão dentro de nós: onde os sentimentos  não precisam de motivos  nem os desejos de razão.

O importante é aproveitar o momento  e aprender sua duração; Pois a vida  está nos olhos de quem sabe ver...

Se não houve frutos,  valeu a beleza das flores.  Se não houve flores,  valeu a sombra das folhas. Se não houve folhas, valeu a intenção da semente.

Atribuido à Henfil

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Tudo é como um girassol

 
"Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta dos nossos sonhos ?"

Olhar o sol. Ter um sol na vida. A manhã é bonita, mas não podemos ficar sempre olhando para ela.

O nascer do sol é lindo, mas não podemos fixar o olhar no nascer, e sim, acompanhar o sol. Ser um girassol. Girar com o sol da vida e da ação.

É bonito, mas é muito perigoso passar a vida fazendo sala ou tomando chimarrão. É perigoso "deixar a vida passar". Parece que o sol desapareceu. É perigoso acabar o trabalho e não ter mais nada para fazer. É o senso da i-nutilidade. Do trabalhar para comer. Do comer para trabalhar.

Ser girassol é estar sempre em movimento. É ter uma cabeça para pensar e um coração para amar. Um coração inquieto, que não quer pegar no sono com medo de não mais acordar.

 E há muitas pessoas no sono de só fazer o dever e nada mais. Não são capazes de um gesto de generosidade e de criatividade. São pessoas mortas-vivas.

É preciso ser girassol. Ter um objetivo. Ter um guia. Ter um ideal. Ter um sonho que não acaba nunca.
 
Frei Wilson João Sperandio 

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Deus não pode ser uma pessoa séria

 
Regozijar-se com a vida é o caminho que leva a Deus. Vá até Deus dançando, vá até Deus rindo, vá até Deus cantando!

Se você olha para a vida, se essa vida é uma criação de Deus, se essa vida é a expressão de Deus, então ele é um Deus dançante, cheio de flores e fragrância, cheio de canções — muito criativo, sensível —, cheio de música...

Se essa vida é alguma prova — e além dela não há outra prova —, então Deus não pode ser uma pessoa séria.
 
Osho
 
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre a saudade


 Aprendi, duramente, que as fotografias são objetos cruéis. Elas nos fazem lembrar de tempos que não voltam mais, de sorrisos e olhares que ficaram em algum lugar do passado.

Às vezes, eu posso sentir o cheiro desses sorrisos. E, amargamente, os reinvento e os revivo. Recrio as falas que eu nunca disse e queria ter dito; as que eu queria ter ouvido e nunca ouvi.

O tempo é um deus vingativo. Sempre quis saber o que eu roubava das pessoas quando as conhecia. Penso que lhes roubei as admirações, roubei-lhes os cheiros, seus tempos, suas histórias e os guardo todos comigo naquelas fotografias.

Fotografias que, cruelmente, guardo na memória. Cruelmente porque elas me forçam a enxergar que o tempo passou, que envelhecemos, que não dissemos o que sentíamos, que amamos de forma errada, que poderíamos ter aproveitado melhor cada momento, cada sorriso, cada lágrima, cada olhar, cada contato físico...

Eta, saudades .....

Por Dandara Gabira
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bagagens



Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta acantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

Pe. Fábio de Melo

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Árvore torta


Um dia, diante da velha árvore torta, um pinheiro todo vergado pelo tempo, o sábio da aldeia ofereceu a sua própria casa para aquele discípulo que “conseguisse ver o pinheiro na posição correta”.

Todos se aproximaram e ficaram pensando na possibilidade de ganhar a casa e o prestígio, mas como seria  “enxergar o pinheiro na posição correta”? O mesmo era tão torto que a pessoa candidata ao prêmio teria que ser no mínimo contorcionista.

Ninguém ganhou o prêmio e o velho sábio explicou ao povo ansioso, que ver aquela árvore em sua posição correta era “vê-la como uma árvore torta”.

Só isso!

Nós temos em nós esse jeito, essa mania de querer “consertar as coisas, as pessoas, e tudo mais” de acordo com a nossa visão pessoal. Quando olhamos para uma árvore torta é extremamente importante enxergá-la como árvore torta, sem querer endireitá-la, pois é assim que ela é. Se você tentar “endireitar” a velha árvore torta, ela vai rachar e morrer, por isso é fundamental aceitá-la como ela é.

Nos relacionamentos é comum um criar no outro expectativas próprias,  esperar que o outro faça aquilo que ele “sonha” e não o que o outro pode oferecer. Sofremos antecipadamente por criarmos expectativas que não estão alcance dos outros.

Porque temos essa visão de “consertar” o que achamos errado.

Se tentássemos enxergar as coisas como elas realmente são, muito sofrimento seria poupado.

Os pais sofreriam menos com os seus filhos, pois conhecendo-os, não colocariam expectativas que são suas, na vida dos mesmos, gerando crianças doentes, frustradas, rebeldes e até vazias.

Tente, pelo menos tente, ver as pessoas como elas realmente são, pare de imaginar como elas deveriam ser, ou tentar consertá-las da maneira que você acha melhor. O torto pode ser a melhor forma de uma árvore crescer.

Não crie mais dificuldades no seu relacionamento; se vemos as coisas como elas são, muitos dos nossos problemas deixam de existir, sem mágoas, sem brigas, sem ressentimentos.

E, para terminar, olhe para você mesmo com os “olhos de ver” e enxergue as possibilidades, as coisas que você ainda pode fazer e não fez. Pode ser que a sua árvore seja torta aos olhos das outras pessoas, mas pode ser a mais frutífera, a mais bonita, a mais perfumada da região, e isso, não depende de mais ninguém para acontecer, depende só de você.

Pense nisso!

Paulo Roberto Gaefke

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tolerância



A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

Mahatma Gandhi

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Nosso medo



Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.

Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida. É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora. 

Nós nos perguntamos: quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso?

Na realidade, quem é você para não ser?

Você é filho do Universo. Você se fazer de pequeno não ajuda o mundo. Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.

Nascemos para manifestar a glória do Universo que há  dentro de nós. Não está apenas em um de nós: está em todos nós.

E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos às outras pessoas, permissão para fazer o mesmo.

E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta os outros.

Nelson Mandela

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Alma de mulher


Nada mais contraditório do que ser mulher...

Mulher que pensa com o coração, age pela emoção e vence pelo amor. Que vive milhões de emoções num só dia e transmite cada uma delas, num único olhar.

Que cobra de si a perfeição e vive arrumando desculpas para os erros, daqueles a quem ama. Que hospeda no ventre outras almas, dá a luz e depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gerou.

Que dá as asas, ensina a voar, mas não quer ver partir os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem. Que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda que seu amor nem perceba mais tais detalhes.

Que como uma feiticeira transforma em luz e sorriso as dores que sente na alma, só pra ninguém notar. E ainda tem que ser forte, pra dar os ombros para quem neles precisa chorar.

Feliz do homem que,  por um dia, souber entender a alma da mulher !


Rayana Odete

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tudo começa agora



Que força é essa tão desconhecida? Que poder é esse de transformar uma vida? Que valor é esse que não podemos calcular?

O pensamento é a grande arma que o homem ainda não domina, é a força transformadora que ainda corre solta, ora nos leva a vitória, ora a derrota de nós mesmos.

Qual o médico que pode operar uma gravidez psicológica? Qual o analista que pode alterar um sonho pessoal? Qual o cientista que pode transportar as ondas cerebrais? Quem pode fazer você fazer aquilo que você não quer? Quem pode convencer um drogado a largar o vício? Quem pode dar um motivo alegre para o deprimido sair?

Tudo está dentro de nós! Nossos deuses, nossos anjos e nossos demônios, atraímos a paz e por vezes criamos a guerra. Queremos falar de amor e acabamos odiando, levantamos para trabalhar e enrolamos, admiramos e nos decepcionamos. Tudo muito rápido, instantâneo…

O que falta não é felicidade, nem companhia, o que falta é objetivo, meta. Quando tudo está muito vago, tudo é relativo, tudo é parte, é pouco. Mas, quando determinamos, quando ousamos sonhar, tudo é muito completo, rico, cheio de uma porção mágica, que é o tesão pela vida, a descoberta de nós mesmos.

Por isso, neste dia que o sol pode estar escondido, lembre-se de fazer escolhas, de decidir. De parar um minuto e pensar em você, de desejar mais do que viver na cidade, pense em conquistar a felicidade. Porque se alguém merece ser feliz, esse alguém é você!

Paulo Roberto Gaefke

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Subir pelo lado que desce


"Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce".

Ouvindo esta frase, imaginei qualquer pessoa nessa acrobacia que as crianças fazem ou tentam fazer: escalar aqueles degraus que nos puxam inexoravelmente para baixo. Perigo, loucura, inocência, ou uma boa metáfora do que fazemos diariamente?

 Poucas vezes me deram um símbolo tão adequado para a vida, sobretudo naqueles períodos difíceis em que até pensar em sair da cama dá vontade de desistir. Tudo o que quereríamos era taparmos a cabeça e dormirmos, sem pensarmos em nada, fingindo que não estamos nem aí…

Porque Tanatos, isto é, a voz do poço e da morte, nos convoca a cada minuto para que, enfim, nos entreguemos e acomodemos.

Só que acomodar-se é abrir a porta a tudo aquilo que nos faz cúmplices do negativo. Descansaremos, sim, mas tornando-nos filhos do tédio e amantes da pusilanimidade, personagens do teatro daqueles que constantemente desperdiçam os seus próprios talentos e dificultam a vida dos outros.  E o desperdício da nossa vida, talentos e oportunidades é o único débito que no final não se poderá saldar: estaremos no arquivo-morto.

Não que não tenhamos vontade ou motivos para desistir: corrupção, violência, drogas, doença, problemas no emprego, dramas na família, buracos na alma, solidão no casamento a que também nos acomodamos… tudo isso nos sufoca.

Sobretudo, se pertencermos ao grupo cujo lema é: Pensar, nem pensar… e a vida que se lixe.  A escada rolante chama-nos para o fundo: não dou mais um passo, não luto, não me sacrifico mais. Para que mudar, se a maior parte das pessoas nem pensa nisso e vive da mesma maneira, e da mesma maneira vai morrer?

Não vive (nem morrerá) da mesma maneira. Porque só nessa batalha consigo mesmo, percebendo engodos e superando barreiras, podemos também saborear a vida. Que até nos surpreende quando não se esperava, oferecendo-nos novos caminhos e novos desafios.

Mesmo que pareça quase uma condenação, a idéia de que viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce é que nos permite sentir que afinal não somos assim tão insignificantes e tão incapazes.

Então, vamos à escada rolante: aqui e ali até conseguimos saltar degraus de dois em dois, como quando éramos crianças e muito mais livres, mais ousados e mais interessantes.  E porque não? Na pior das hipóteses, caímos, magoamo-nos por dentro e por fora, e podemos ainda uma vez… recomeçar.

Lya Luft

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É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector
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